Mesmo dentro do governo de Donald Trump, há dificuldade em concordar com suas afirmações sobre o Papa Francisco. O secretário de Estado, Marco Rubio, tentou defender o presidente após críticas à sua fala sobre o líder católico.

Em entrevista à imprensa na Casa Branca, uma repórter questionou Rubio sobre as declarações de Trump, que teria dito que o Papa estaria 'colocando em risco muitos católicos' devido a seus posicionamentos sobre a guerra no Irã.

Repórter: 'O presidente recentemente disse que o Papa está colocando em risco muitos católicos por causa de sua retórica sobre a guerra no Irã. Essa é a interpretação correta?'

Rubio: 'Não acho que essa seja uma descrição precisa do que ele disse. O presidente basicamente afirmou que o Irã não pode ter armas nucleares porque as usaria contra locais com muitos católicos, cristãos e outros.'

No entanto, Rubio estava equivocado. As palavras de Trump foram exatamente como a repórter as descreveu.

Em entrevista à rádio conservadora Hugh Hewitt na segunda-feira (5), Trump afirmou:

'Acho que ele está colocando em risco muitos católicos e muitas pessoas. Mas, pelo que entendi, segundo o Papa, parece que não há problema se o Irã tiver armas nucleares.'

Essa não foi a primeira vez que Trump atacou o Papa. No mês passado, o presidente publicou no Truth Social que o líder católico era 'fraco no combate ao crime e terrível em política externa'.

O Papa, nascido em Chicago, desagradou Trump e aliados quando defendeu a paz mundial no início do ano. Em janeiro, o Pentágono teria ameaçado um embaixador do Vaticano após o discurso anti-guerra do Papa durante seu Estado da União Mundial.

Apesar das críticas, o Papa Francisco minimizou os ataques de Trump, declarando não ter 'medo' do governo americano nem de 'falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho'. O Vaticano, porém, rejeitou um convite da Casa Branca para que o líder católico participasse das comemorações do 250º aniversário dos EUA, em 4 de julho.

Papa Francisco: 'Continuarei a falar abertamente contra a guerra, promovendo a paz, o diálogo e relações multilaterais entre os países para buscar soluções justas. Muitas pessoas sofrem no mundo hoje. Muitos inocentes estão sendo mortos. Alguém precisa se manifestar e dizer que há um caminho melhor.'

Vale lembrar que, se não fosse pela política de Trump, o Irã provavelmente não teria estoques de urânio enriquecido suficientes para desenvolver armas nucleares. Em 2018, três anos após o acordo nuclear firmado por Barack Obama, o Irã não possuía material suficiente para uma bomba. A situação mudou após Trump retirar os EUA do pacto.