A Suíça deu um passo histórico ao revogar a proibição de automobilismo que vigorava desde 1955, quando a tragédia de Le Mans resultou na morte de mais de 80 pessoas. A decisão, anunciada pelo Conselho Federal suíço, entra em vigor em 1º de julho e abre caminho para a realização de grandes eventos, como corridas de Fórmula 1.
Nos últimos anos, o país já havia flexibilizado a lei para permitir exceções, como a realização de corridas de Fórmula E em 2018 e 2019, baseadas em uma isenção para veículos elétricos. Além disso, reformas legislativas anteriores haviam sinalizado uma abertura gradual para o esporte a motor.
No entanto, a nova medida representa um marco: pela primeira vez desde a proibição, corridas em circuitos fechados serão permitidas. Até então, apenas modalidades como ralis e subidas de montanha eram autorizadas. A decisão é vista como um reflexo do sucesso das experiências com a Fórmula E, que demonstrou a viabilidade de eventos de alto nível no país.
Autoridade dos cantões e desafios para um Grande Prêmio
A partir de julho, os 26 cantões suíços (equivalentes a estados-membros) terão autonomia para decidir se permitirão ou não corridas em seus territórios. Essa descentralização pode dificultar a realização de um Grande Prêmio de Fórmula 1, já que a construção de um autódromo de padrão internacional, como os de FIA Grade 1, demanda anos de planejamento e investimento.
Legado de pilotos suíços e o futuro do automobilismo no país
Apesar da proibição, a Suíça sempre foi berço de talentos no automobilismo. Entre os nomes mais notáveis estão o lendário Clay Regazzoni, ídolo da Fórmula 1, e Sébastien Buemi, tetracampeão das 24 Horas de Le Mans com a Toyota. Com a revogação da lei, o país poderá agora explorar todo o potencial de seus pilotos e infraestrutura esportiva.
O próximo passo será observar como os cantões implementarão a nova regra e se o interesse por grandes eventos, como a Fórmula 1, se concretizará nos próximos anos.