O especial The Punisher: One Last Kill, da Marvel, começa de forma chocante: em menos de cinco minutos, um cachorro é morto de forma gratuita e repetida em cena. A segunda sequência mostra um veterano sem-teto (interpretado por John Douglas Thompson) dividindo uma refeição com seu cão quando um grupo de jovens o agride, rouba seu chapéu e joga o animal na frente de um caminhão. A cena, que tenta transmitir a ideia de um mundo cruel e feio, é repetida diversas vezes ao longo do especial, sem qualquer propósito narrativo ou reflexão sobre seus temas.

A trama não desenvolve uma história coerente, não aprofunda seus personagens nem explora as consequências de suas ações. Em vez disso, o especial insiste na mensagem de que o mundo está repleto de pessoas horríveis e que a única esperança para os poucos bons (representados principalmente por crianças) é que Frank Castle, o Justiceiro, opte pela violência em vez da terapia para lidar com seu TEPT.

Embora o especial faça algumas tentativas de contar uma história, elas são superficiais. Imagens de arquivo e trechos de áudio sugerem que Frank já eliminou grande parte da família criminosa Gnucci, criando um vazio de poder que gera caos nas ruas. Assombrado por visões de seu antigo companheiro de farda, Curtis Hoyle (Jason R. Moore, reprisando seu papel da série da Netflix), e de sua família falecida, Frank tenta abandonar as armas e viver em paz. No entanto, Ma Gnucci (Judith Light), matriarca da família, surge para anunciar que contratou todos os criminosos de Little Sicily para se vingar dele.

O segundo ato, que ocupa 20 dos 45 minutos do especial, resume-se a Frank massacrando hordas que invadem seu prédio. Há breves menções à perda de sua família e à exploração dos veteranos nos EUA, mas esses temas são rapidamente esquecidos. O especial insiste em repetir que Frank perdeu tudo para a violência, respondeu com mais violência e agora está condenado a perpetuar esse ciclo — ainda que, em meio a tanto caos, ele ajude algumas crianças e seus pais (um deles interpretado por Andre Royo, de The Wire).

O especial não apenas ignora explorar as implicações fascistas de um herói que encontra redenção apenas através da morte de seus inimigos, como também entrega cenas de ação mal executadas. Embora os dublês e coordenadores de luta tenham feito um bom trabalho, as câmeras tremidas, os enquadramentos mal planejados e a dependência excessiva de trilhas sonoras (incluindo uma música do Hatebreed) reduzem as sequências de ação a algo semelhante a um episódio de The Shield dos anos 2000.