Cinco estabelecimentos de massagem em Bothell, cidade nos arredores de Seattle, foram alvos de operações policiais recentemente. A polícia local alegou tratar-se de uma resposta a "preocupações comunitárias" e suspeitas de prostituição. No entanto, grupos de defesa dos direitos de trabalhadoras de massagem e imigrantes classificaram as ações como mais um exemplo de discriminação e violência estatal contra mulheres asiáticas e trabalhadoras imigrantes.

Durante um ato realizado em abril de 2024 em frente à prisão do Condado de King, Lee Chen, ativista, declarou:

"Vocês estão se parabenizando por resolver problemas fabricados com base em ideias sexistas e racistas, e as trabalhadoras de massagem asiáticas estão pagando o preço."

Organizações como o Massage Parlor Organizing Project (MPOP), Whose Streets? Our Streets, Red Canary Song e International Migrants Alliance foram responsáveis pela mobilização, segundo o Northwest Asian Weekly.

J.M. Wong, organizador do evento, destacou irregularidades durante as operações:

"Quando esses policiais entraram nos estabelecimentos, mal se identificaram. Não houve interpretação para outros idiomas nem esclarecimento sobre os direitos de permanecer em silêncio. As pessoas não sabiam que tinham esse direito."

Das cinco empresas atingidas, duas pertenciam a Lizhen Yang, inclusive uma localizada a poucos metros da sede da polícia de Bothell. Tanto ela quanto o marido negaram qualquer irregularidade. Até a última segunda-feira, apenas uma pessoa havia sido presa: Yang, detida em 14 de abril sob suspeita de promoção de prostituição e tráfico humano. No entanto, foi libertada no dia seguinte sem nenhuma acusação. O sistema de informações da prisão do Condado de King já registra o caso como "encerrado".

Todos os cinco estabelecimentos foram fechados sob a alegação de violações de código de incêndio. O MPOP questionou nas redes sociais:

"Por que empresas de imigrantes são alvos de investigações em larga escala e operações envolvendo polícia e bombeiros por supostas irregularidades no código de incêndio?"

Segundo o MPOP, durante as operações, policiais arrancaram câmeras de segurança das paredes, derrubaram móveis, danificaram portas, placas e obras de arte. Além disso, dinheiro de trabalhadoras foi apreendido. Essas trabalhadoras agora estão desempregadas, sem previsão de quando — ou se — os negócios poderão reabrir.

O MPOP enfatizou que operações como essa não ajudam as trabalhadoras, que muitas vezes são traumatizadas pela abordagem policial, têm seus pertences apreendidos como provas e enfrentam o risco de deportação. Tais ações fazem parte de "sistemas que silenciam e criminalizam justamente as trabalhadoras que alegam estar 'salvando'".

Padrão de violência institucionalizado

O MPOP também alertou que as operações em Bothell fazem parte de um padrão maior de 'ativismo anti-tráfico carcerário'. Nesse modelo, a exploração — real ou imaginária — é combatida não por meio de direitos trabalhistas ou de imigrantes, mas sim por meio de violência policial, deslocamento de trabalhadoras e fechamento de empresas de imigrantes. Essas ações muitas vezes envolvem parcerias com órgãos como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Imigração e Alfândega (ICE).

Uma década atrás, uma operação semelhante foi amplamente documentada. Na ocasião, as autoridades do Condado de King anunciaram ter desmantelado uma suposta rede internacional de exploração sexual, mas os resultados finais não foram esclarecidos.

Fonte: Reason