O presidente Donald Trump voltou a demonstrar insegurança sobre as acusações que move contra seus adversários políticos. Durante entrevista à CNN, ele admitiu não ter certeza se o ex-diretor do FBI, James Comey, realmente tentou ameaçar sua vida com uma publicação no Instagram.
Na semana passada, o Departamento de Justiça indiciou Comey com base em uma foto postada em 2025, na qual conchas na praia formavam a palavra "86 47". O termo "86" é comumente usado na indústria de restaurantes para retirar um prato do cardápio, mas o governo alega que se trata de uma gíria da máfia para "mate-o".
Ao ser questionado pela repórter Kaitlan Collins se acreditava que a publicação representava uma ameaça real, Trump respondeu de forma evasiva:
"Bem, quem entende de crime sabe que ‘86’ é um termo da máfia para ‘mate-o’. Você já viu filmes? (…) Eu o considero um termo da máfia. Não sei."
Collins insistiu: "O senhor realmente acha que sua vida estava em perigo?". Trump então afirmou:
"Provavelmente. Não sei. Pessoas como Comey criaram um perigo tremendo, acho, para políticos e outras pessoas. Sabe, Comey é um policial sujo. Um policial muito sujo. Ele fraudou as eleições."
A defesa de Comey é simples: a foto com conchas não passava de uma brincadeira artística, sem intenção de ameaça. Até mesmo alguns republicanos no Congresso, como o senador Thom Tillis, demonstraram ceticismo em relação ao caso.
Tillis, membro do Comitê Judiciário do Senado, declarou ao The Washington Post:
"Eu já usei ‘86’ inúmeras vezes, mas nunca com a intenção de matar alguém."
O deputado Troy Nehls também criticou a acusação, chamando-a de "um exagero" e afirmando que "qualquer um pode ser indiciado por qualquer coisa".
A fragilidade das acusações de Trump tem sido alvo de críticas, especialmente porque a população parece pouco interessada em sua "turnê de vingança". Especialistas jurídicos apontam que argumentos como o apresentado contra Comey dificilmente se sustentariam em um tribunal.