O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou na China nesta semana para uma visita de Estado repleta de simbolismo e tensões comerciais. Antes mesmo da viagem, Trump já havia feito declarações otimistas nas redes sociais, afirmando que o presidente chinês, Xi Jinping, o receberia com um "grande e caloroso abraço". No entanto, as relações entre os dois países, marcadas por disputas comerciais e divergências geopolíticas, podem limitar o tom amigável da agenda.

Trump, que recentemente demonstrou descontentamento com viagens longas e afastamentos prolongados da Casa Branca e de suas propriedades na Flórida e Nova Jersey, chegou a Pequim na noite desta quarta-feira (15). Na manhã seguinte, participará de uma cerimônia de boas-vindas e de um encontro privado com Xi Jinping. Os dois líderes visitarão, ainda, o Templo do Céu — um complexo religioso do século XV que simboliza a conexão entre o céu e a terra.

A agenda oficial inclui um jantar de Estado na quinta-feira e um chá de trabalho e almoço com Xi Jinping na sexta-feira, antes de seu retorno aos EUA. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, os temas em pauta incluem a criação de um novo Conselho de Comércio para manter o diálogo econômico entre os países, além de setores-chave como energia, aeroespacial e agricultura.

O Ministério das Relações Exteriores da China, por sua vez, afirmou que Pequim está disposta a trabalhar com Washington com base na igualdade e no respeito mútuo, buscando expandir a cooperação e gerenciar diferenças em um cenário global turbulento. "A diplomacia entre os líderes desempenha um papel estratégico insubstituível nas relações bilaterais", declarou o porta-voz Guo Jiakun.

Comparação com a primeira visita de Trump à China

A grandiosidade da visita atual não deve se equiparar ao espetáculo organizado pela China em 2017, quando Trump realizou sua primeira viagem ao país. Na ocasião, o governo chinês classificou o evento como uma "visita de Estado-plus", com uma recepção luxuosa que incluiu uma banda tocando hinos militares, crianças agitando bandeiras e gritando "Bem-vindo!".

Xi Jinping ofereceu um tour pela Cidade Proibida, e o então presidente dos EUA e sua esposa, Melania Trump, jantaram em particular no local. Trump foi o primeiro líder estrangeiro desde a fundação da República Popular da China, em 1949, a ter acesso a um privilégio antes reservado apenas aos imperadores.

Na manhã seguinte, outra cerimônia de boas-vindas foi realizada no Grande Salão do Povo, acompanhada de um desfile militar. O jantar de Estado em homenagem a Trump incluiu exibições de vídeos da visita anterior de Xi Jinping à Flórida, além de um clipe da neta do então presidente, Arabella, cantando em chinês.

"A delegação chinesa provavelmente fará todo o possível para garantir que Trump deixe Pequim acreditando que concluiu uma visita bem-sucedida, mesmo em meio a um cenário de relações cada vez mais tensas." — Ali Wyne, conselheiro sênior de pesquisa e defesa dos EUA-China no Crisis Group.

Contexto das relações EUA-China

As tensões entre os EUA e a China não se limitam ao comércio. A China mantém fortes laços econômicos com o Irã, o que adiciona mais um ponto de atrito na relação com Washington. Além disso, as ameaças tarifárias recorrentes desde o primeiro mandato de Trump continuam a pesar nas negociações. Apesar disso, o atual presidente americano sempre demonstrou admiração por Xi Jinping, reconhecendo-o como um líder forte e um competidor digno de respeito.

Com uma agenda repleta de simbolismo e poucas expectativas de avanços concretos, a visita de Trump à China servirá, acima de tudo, como um termômetro das relações entre as duas potências globais nos próximos anos.