Trump pede cautela a Netanyahu em operações no Líbano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria orientado o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a realizar apenas ações militares cirúrgicas no Líbano, evitando uma retomada total da guerra entre Israel e o Hezbollah. A informação foi divulgada em entrevista ao site Axios.
Cessar-fogo em risco
O cessar-fogo no Líbano, negociado com apoio dos EUA, está sendo parcialmente cumprido e corre o risco de colapsar antes mesmo de sua data de expiração, prevista para meados de maio. Além disso, não houve avanços nas negociações de paz entre Israel e o Líbano, apesar de duas reuniões realizadas pelo secretário de Estado Marco Rubio com os respectivos embaixadores.
Embora a administração Trump afirme que o cessar-fogo no Líbano não esteja diretamente ligado ao acordo com o Irã, uma nova escalada militar poderia complicar ainda mais as negociações diplomáticas com Teerã.
Pressão sobre Israel e Hezbollah
O Exército israelense continua ocupando o sul do Líbano e destruindo casas que alega terem sido usadas pelo Hezbollah. Em resposta, o grupo realizou novos ataques com foguetes e drones contra forças israelenses e comunidades fronteiriças. Israel intensificou seus bombardeios, mas enfrenta pressão para aumentar ainda mais sua resposta militar.
Autoridades israelenses estão cada vez mais frustradas com as restrições impostas pela administração Trump. Segundo relatos, Netanyahu teria dito a Trump que precisará aumentar as ações contra o Hezbollah, mas Trump teria respondido:
"Eu disse ao Netanyahu que ele precisa agir de forma mais cirúrgica. Não derrubar prédios. Ele não pode fazer isso. É terrível demais e faz Israel parecer mal."
Trump também teria dito que gosta do Líbano e de sua liderança, acreditando que o país pode se recuperar. "O Irã arruinou o Líbano. Seu representante [Hezbollah] arruinou o país. Quando o Irã for eliminado, o Hezbollah automaticamente cairá", afirmou.
Posição dos EUA e do Hezbollah
Autoridades da administração Trump negam que o cessar-fogo esteja em colapso. Segundo um oficial norte-americano:
"O Hezbollah não é parte do cessar-fogo e está tentando sabotá-lo. A estratégia do grupo é clara: provocar, atacar e culpar Israel para sabotar as negociações e prejudicar o governo libanês."
O oficial afirmou que os EUA pediram a Israel que "mostrasse moderação" e desse espaço ao novo processo diplomático com o Líbano.
"Vamos intensificar nossa campanha política contra o Hezbollah e buscar formas de fortalecer as Forças Armadas Libanesas para superar seus desafios, tudo em um cronograma acelerado."
Do outro lado, a liderança libanesa enfrenta pressão tanto dos EUA — para isolar e enfraquecer o Hezbollah — quanto da população, insatisfeita com a ocupação israelense no sul do país, a destruição de vilarejos e os bombardeios contínuos. Os recentes ataques do Hezbollah buscam, em parte, minar o governo libanês por sua decisão de negociar diretamente com Israel.
Um alto funcionário libanês disse ao Axios que Beirute teme que a presença militar israelense no sul do Líbano possa permitir que o Hezbollah recupere sua legitimidade junto à população.