A Universidade de Michigan enviou uma notificação legal contra a moratória de 365 dias imposta pela Ypsilanti Community Utility Authority (YCUA) para interromper o fornecimento de água a data centers de grande porte na região. A medida, que visa avaliar impactos ambientais e uso sustentável da água, foi aprovada em 22 de abril e afeta diretamente um projeto conjunto entre a universidade e o Los Alamos National Laboratory para construir um data center de US$ 1,2 bilhão e 220 mil pés quadrados em Ypsilanti Township.

Segundo a MLive, a universidade entregou pessoalmente e por e-mail a notificação legal à YCUA no dia anterior à votação da moratória. O documento, obtido pela 404 Media, argumenta que a moratória é 'ilegalmente discriminatória' contra data centers e ameaça buscar 'todos os direitos e medidas legais' caso suas exigências não sejam atendidas.

Posições divergentes sobre a legalidade da moratória

Luther Blackburn, diretor executivo da YCUA, afirmou à 404 Media que a entidade não comentaria sobre possíveis litígios, mas confirmou ter recebido a comunicação da universidade. Ele declarou que a YCUA está atuando dentro da legalidade e das melhores práticas do setor ao impor a moratória.

A universidade, no entanto, discorda. Em trecho da carta obtida pela 404 Media, a instituição alega que moratórias específicas por setor são 'legalmente inválidas', pois não estariam relacionadas a necessidades documentadas de saúde pública ou utilidade pública. O argumento se baseia em precedentes legais que, segundo a universidade, não favoreceriam Ypsilanti em um eventual processo judicial.

Disponibilidade de água não é problema, afirma universidade

A Universidade de Michigan sustenta que não há evidências de restrições de capacidade na YCUA. Segundo a carta, a liderança da autoridade afirmou publicamente que o fornecimento de água ao data center não afetaria sua capacidade de tratamento ou distribuição. A universidade citou declarações de Blackburn, que em 2025 confirmou que o consumo projetado de 200 mil galões diários do data center estaria dentro da capacidade de 8 a 10 milhões de galões por dia da YCUA.

Além disso, a universidade destacou que o projeto poderia ajudar a reduzir custos gerais de utilidades, melhorando a eficiência e a distribuição de despesas. Sean Knapp, diretor de operações de serviço da YCUA, havia declarado anteriormente ao Planet Detroit que a autoridade opera abaixo de sua capacidade e que a adição do data center como cliente poderia otimizar os custos.

Acusação de discriminação setorial

A universidade também alega que a moratória é pretextual e 'ilegalmente discriminatória' contra data centers. O documento afirma que a medida não teria relação com necessidades reais de saúde pública ou utilidade, mas sim com uma decisão arbitrária e setorial.