Republicanos lideram queda no apoio à OTAN entre americanos

Apoio dos americanos à OTAN registra queda histórica, impulsionada principalmente por republicanos. Segundo dados do Pew Research divulgados neste mês, 60% dos republicanos afirmam que os EUA não se beneficiam ou se beneficiam muito pouco da aliança militar, um aumento de 11 pontos percentuais em relação a 2025. Em 2022, 55% desse grupo apoiava a participação americana na OTAN.

Já entre democratas e independentes alinhados ao partido, o apoio permanece estável: 82% ainda defendem a participação dos EUA na aliança, percentual praticamente inalterado nos últimos cinco anos.

Impacto na opinião pública americana

A mudança de postura entre republicanos reduziu o apoio geral à OTAN nos EUA de 71% em 2021 para 59% atualmente. Especialistas apontam que a postura crítica do ex-presidente Donald Trump, que há décadas questiona o valor da aliança, influencia diretamente esse cenário.

"Por que essas nações não pagam pelos bilhões de dólares e vidas americanas que perdemos para proteger seus interesses?" — Donald Trump, em anúncios de jornal de 1987

Trump, que já havia questionado a OTAN durante seu primeiro mandato, recentemente declarou aos repórteres que estuda retirar os EUA da aliança, alegando que "não estavam lá quando precisamos e não estarão se precisarmos novamente".

EUA arcam com maior parte dos custos da OTAN

Dados do Relatório Anual da OTAN 2025 revelam que, com uma economia correspondente a 52% do PIB total da aliança, os EUA foram responsáveis por 60% de todo o gasto defensivo em 2024. Em 2020, essa participação era ainda maior: 71% dos gastos, enquanto o PIB americano representava 53% do total da aliança.

A disparidade não se limita ao aspecto financeiro. Em dezembro de 2023, após a invasão russa à Ucrânia, o Wall Street Journal destacou que o exército britânico, principal aliado militar dos EUA na Europa e maior gastador europeu em defesa, possuía apenas cerca de 150 tanques operacionais e uma dúzia de peças de artilharia de longo alcance.

A França, segundo o jornal, também apresentava limitações significativas em sua capacidade militar. Esses dados reforçam o desequilíbrio de poder dentro da aliança, onde os EUA assumem a maior parte da responsabilidade operacional e financeira.

Críticas históricas de Trump à OTAN persistem

As dúvidas de Trump sobre a OTAN não são recentes. Desde os anos 1980, ele questiona por que aliados considerados prósperos não contribuem financeiramente de forma mais significativa para sua própria defesa. Sua postura crítica ganhou força durante seu mandato, quando sugeriu que os EUA poderiam rever sua participação na aliança.

Apesar das recentes demonstrações de apoio à OTAN por parte de alguns membros europeus — especialmente após a guerra na Ucrânia —, a insatisfação americana com o descompasso entre contribuições e benefícios continua a crescer, impulsionada pela retórica de líderes republicanos.

Fonte: Reason