Na manhã de 2 de maio, Leonardo Garcia Venegas, 26 anos, retornava de uma loja de conveniência em Silverhill, no Alabama, quando percebeu um veículo não identificado o seguindo. Ao estacionar o caminhão em frente à sua casa, agentes do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA) se aproximaram e tentaram abrir a porta do motorista. Em uma declaração apresentada em processo civil, Venegas relatou que os agentes o removeram do carro à força, jogando-o no chão, e algemaram seus braços e pernas.
Segundo o relato, sete ou oito agentes, incluindo policiais locais e oficiais do ICE — muitos vestindo roupas civis e coletes táticos — cercaram o local. Nenhum deles fez perguntas a Venegas, que tentou mostrar sua Carteira de Identificação do Alabama (STAR ID) como prova de cidadania, mas foi ignorado. Os agentes o colocaram no banco traseiro de um veículo, questionaram seu local de nascimento e revistaram sua carteira. Quando Venegas ofereceu mostrar seu passaporte norte-americano, que estava em casa, os agentes se recusaram. Após alguns minutos, foi liberado — mas não antes de cães farejarem o caminhão em busca de drogas.
Os agentes alegaram que o veículo estava registrado em nome do irmão de Venegas, que é indocumentado. O ICE não respondeu a pedidos de comentário antes da publicação.
Esta não foi a primeira vez que Venegas foi detido pelo ICE. Segundo registros judiciais, o incidente do dia 2 de maio marcou a terceira prisão arbitrária em menos de um ano. As duas detenções anteriores ocorreram em canteiros de obras onde ele trabalhava, e em ambas as ocasiões foi solto após comprovar sua cidadania norte-americana.
Em sua declaração, Venegas afirmou que a terceira detenção lhe causou angústia e ansiedade extrema. "Vivo com medo constante de ser detido sem motivo enquanto simplesmente vivo minha vida", declarou. "Só quero viver em paz."
Cidadania não garante proteção sob o governo Trump
Embora a frequência das detenções arbitrárias de Venegas seja incomum, ele não é o único caso. Segundo levantamento da ProPublica com base em casos do primeiro ano do segundo mandato de Trump, ao menos 170 cidadãos norte-americanos foram detidos ilegalmente por agentes de imigração nos primeiros nove meses de 2025.
Em setembro do ano passado, Venegas entrou com uma ação contra o governo federal, alegando violação de direitos civis e danos emocionais. "Leo é um cara comum, que só quer viver sua vida em paz e trabalhar honestamente", afirmou Jared McClain, advogado do Institute for Justice, que representa Venegas. "A política de imigração atual impede que pessoas como ele vivam livremente."
O primeiro incidente ocorreu em 2024, quando agentes do ICE invadiram um canteiro de obras onde Venegas trabalhava. Na ocasião, ele foi algemado e mantido detido por horas até apresentar sua certidão de nascimento. A segunda prisão aconteceu meses depois, em outra obra, com o mesmo desfecho. Agora, após a terceira detenção, Venegas busca justiça para interromper o ciclo de perseguição.