Concentração recorde de ações de IA no S&P 500

Os dez maiores papéis de IA do S&P 500 já representam 41% do índice, segundo dados da BofA Global Research. Esse nível de concentração é comparável ao pico da bolha da internet nos anos 2000, quando o setor de tecnologia e telecomunicações atingiu 40%. Na década de 1970, o chamado "Nifty Fifty" também alcançou 40%, enquanto o Japão registrou 44% no final dos anos 1980.

Impacto nas mineradoras de Bitcoin

Essa concentração acende um alerta no mercado e afeta diretamente as mineradoras de Bitcoin, que nos últimos anos venderam uma nova identidade baseada em infraestrutura de IA. Muitas empresas do setor passaram a atuar como operadoras de data centers híbridos, combinando mineração de Bitcoin com contratos de IA ou computação de alto desempenho (HPC).

Algumas estratégias adotadas incluem:

  • Assinatura de contratos de IA ou HPC;
  • Captação de capital para expansão de data centers;
  • Conversão de sites com energia premium;
  • Foco em métricas de longo prazo, como aluguéis de infraestrutura.

Riscos com a queda na demanda por IA

Se o prêmio da infraestrutura de IA enfraquecer, as mineradoras enfrentarão pressões além da variação no preço do Bitcoin. Os riscos incluem:

  • Endividamento;
  • Durabilidade dos contratos;
  • Execução de projetos;
  • Múltiplos de avaliação das ações.

Além disso, o Bitcoin pode ser afetado indiretamente. Uma redução na expansão da IA poderia aliviar a disputa por energia, espaço em data centers, resfriamento e GPUs. Isso prejudicaria mineradoras que dependem do crescimento da IA para suas novas avaliações, mas poderia beneficiar aquelas que ainda priorizam a mineração tradicional.

Receitas projetadas: IA supera mineração em algumas empresas

Dados da S&P Global Market Intelligence mostram que mineradoras como IREN, Riot Platforms, Core Scientific, HIVE, Cipher e TeraWulf estão realocando receitas para IA e HPC. As projeções para 2026 indicam:

  • HPC representando 71% da receita em IREN e Core Scientific;
  • 70% em TeraWulf;
  • 34% em Cipher;
  • 15% em HIVE;
  • 13% em Riot.

Essa divisão revela dois modelos distintos no setor:

  • Algumas mineradoras se tornam operadoras de data centers com exposição residual ao Bitcoin;
  • Outras mantêm a mineração como core business, mas mantêm opções de IA em locais com acesso a energia e rede.

Contratos de IA e transformação do setor

Segundo a CoinShares, mineradoras públicas anunciaram mais de US$ 70 bilhões em contratos de IA/HPC. Empresas como WULF, Core Scientific, Cipher e Hut 8 estão se consolidando como operadoras de data centers, ainda que mantenham operações de mineração de Bitcoin.

Isso redefine a relação entre o mercado de IA e as mineradoras. Uma queda nos múltiplos de avaliação da IA afetaria diretamente os papéis das mineradoras, uma vez que investidores passaram a atribuir valor aos seus pipelines de HPC. Além disso, a redução na demanda por IA pressionaria projetos baseados em:

  • Inquilinos de longo prazo;
  • Data centers de alta densidade;
  • Posições premium na rede elétrica.

Apesar disso, as margens de mineração ainda dependerão do preço do Bitcoin e da dificuldade de mineração.

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Por Liam 'Akiba' Wright — 18 de abril de 2026