O mês de março se tornou um teste de estresse para as autoridades antiterrorismo dos Estados Unidos. O período começou com um atirador, vestido com uma camisa da bandeira do Irã, matando três pessoas em um bar no Texas. Em seguida, um ataque com explosivos artesanais ocorreu fora da mansão do prefeito em Nova York. No dia 12, um tiroteio fatal atingiu um campus universitário na Virgínia, e, na mesma tarde, um carro invadiu uma sinagoga em Michigan. Dias depois, agentes prenderam um homem acusado de ameaçar realizar um massacre em uma mesquita em Ohio.

Para ex-funcionários de segurança nacional, esses incidentes foram sinais de alerta. Em 2019, quando o presidente Donald Trump redirecionou recursos antiterrorismo para sua campanha de deportações em massa, especialistas já haviam alertado sobre o risco de uma resposta enfraquecida a ameaças globais. Agora, com a guerra no Irã, o governo enfrenta um confronto com um Estado patrocinador de terrorismo, enquanto agências de segurança perdem expertise e liderança.

Gorka e a promessa adiada de uma estratégia antiterrorismo

O foco recai sobre Sebastian Gorka, assessor de contra-terrorismo da Casa Branca, responsável por elaborar um plano nacional para combater ameaças domésticas e internacionais. Há quase um ano, Gorka anunciou que uma estratégia nacional estava prestes a ser lançada. Em julho, afirmou estar à beira de divulgá-la — frase que repetiu em outubro e novamente em janeiro. Até agora, nenhum plano foi apresentado, tampouco explicações para o atraso.

Quando finalmente for lançado, ex-funcionários antiterrorismo preveem que o documento será mais político do que técnico, com poucas diretrizes concretas para combater ameaças após um ano de cortes profundos em agências de segurança nacional.

“Estratégias só valem pelo que você investe nelas. Estamos entrando em território perigoso.”

— Ex-funcionário sênior do primeiro governo Trump

O estilo controverso e a falta de credibilidade

As promessas adiadas não surpreendem colegas familiarizados com o estilo agressivo e temperamental de Gorka, um outsider no establishment de defesa de Washington. Suas declarações, repletas de linguagem grandiosa e proferidas com um forte sotaque britânico, já haviam gerado controvérsias durante seu breve mandato no primeiro governo Trump. Ele foi demitido após sete meses, supostamente por dificuldades em obter segurança de acesso e por polêmicas envolvendo supostos vínculos — que ele nega — com grupos extremistas.

Em entrevistas com mais de duas dezenas de especialistas em segurança nacional, de diferentes partidos, a trajetória de Gorka foi traçada. Quase todos falaram sob condição de anonimato devido ao histórico de retaliações da administração Trump. Seu retorno ao governo na segunda gestão levanta questões sobre a transformação da agenda antiterrorismo nos EUA.

O que antes era visto como excentricidade agora gera preocupação com a capacidade de prevenir ataques. Especialistas temem que, sem uma estratégia clara e recursos adequados, o país esteja menos preparado para identificar e deter grandes conspirações.