A primária democrata para o Senado em Nebraska, realizada nesta terça-feira (14), transformou-se em um verdadeiro quebra-cabeça para os eleitores. O que parecia ser uma disputa tranquila, com o partido planejando apoiar o candidato independente Dan Osborn, tornou-se um cenário confuso após a entrada de novos atores na corrida.
O plano inicial do Partido Democrata de Nebraska era endossar a candidatura de Osborn, um líder sindical de Omaha que ganhou destaque após liderar uma greve de 77 dias em uma fábrica da Kellogg’s em 2021. Em 2024, Osborn quase derrotou a senadora republicana incumbente Deb Fischer, ficando a sete pontos percentuais da vitória. Seu desempenho superou até mesmo a derrota de Kamala Harris para Donald Trump no estado, que foi de 21 pontos.
No entanto, a estratégia democrata foi interrompida pela candidatura do pastor William Forbes, de 79 anos. Embora registrado como democrata, Forbes já votou três vezes em Trump e participou de um treinamento do Partido Republicano no início deste ano. Preocupados com a possibilidade de Forbes dividir os votos, os democratas lançaram a candidatura de Cindy Burbank, ex-técnica de farmácia aposentada.
Burbank prometeu que, se vencer a primária, desistirá da disputa e apoiará Osborn, garantindo que ele enfrente o republicano Pete Ricketts, cujo patrimônio líquido é bilionário, nas eleições de novembro. A estratégia, no entanto, gerou críticas dos republicanos, que classificaram a candidatura de Burbank como uma manobra coordenada e injusta para beneficiar Osborn.
O secretário de Estado republicano de Nebraska, Bob Evnen, tentou, em março, tirar Burbank da disputa, mas ela obteve vitória judicial para permanecer na cédula. Além disso, Burbank pagou a taxa de filiação de um terceiro candidato, Mike Marvin, do Partido Legal Marijuana NOW, o que levantou suspeitas sobre a estratégia democrata.
Osborn, que já foi registrado como democrata, concorre como independente em 2024 devido às dificuldades do partido em atrair eleitores nas Grandes Planícies. Ele promete não se alinhar a nenhum partido se eleito. Pesquisas recentes mostram que Osborn está apenas um ponto percentual atrás de Ricketts.
Por que os democratas estão adotando essa estratégia?
Segundo Mark P. Jones, professor de ciência política da Universidade Rice, a marca nacional dos democratas é vista como tóxica pelos eleitores em estados como Nebraska, associada a elites liberais costeiras. "Os democratas de Nebraska estão adotando uma estratégia de plano B: não lançar um candidato democrata", afirmou Jones ao USA Today.
O cenário atual é incerto: se Forbes vencer a primária, pode dividir votos com Osborn em novembro e ajudar Ricketts a se reeleger. Se Burbank vencer, os democratas terão que divulgar rapidamente seu apoio a Osborn. Em ambos os casos, a estratégia pode sair pela culatra e prejudicar os planos do partido.