Tensão no Golfo Pérsico: EUA reabrem Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos testaram a frágil trégua no conflito com o Irã ao forçar a reabertura do Estreito de Ormuz para navios comerciais. Embora o cessar-fogo ainda estivesse em vigor na terça-feira, o Irã retaliou com disparos de mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos, segundo autoridades locais.
Acusações mútuas e escalada de ameaças
Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, acusou os EUA de minar a segurança regional ao tentar romper o controle iraniano sobre a passagem estratégica. Em resposta, Qalibaf advertiu que Teerã responderá com firmeza e que uma "nova equação" está sendo estabelecida na região.
O governo dos EUA afirmou que dois navios mercantes com bandeira americana cruzaram o estreito na segunda-feira, primeiro dia da operação. Além disso, as forças americanas afundaram seis embarcações iranianas que, segundo Washington, ameaçavam navios comerciais. No entanto, o Irã negou a alegação, afirmando que apenas duas embarcações civis foram atingidas, resultando em cinco mortes, conforme reportado pela televisão estatal iraniana.
Impacto econômico e estratégico
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — por onde passam cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural — já havia elevado os preços de combustíveis e abalado a economia mundial. A medida também serviu como poderosa ferramenta de negociação para o Irã durante o conflito. Ao reabrir a passagem, os EUA buscam retirar esse poder de alavancagem de Teerã.
O presidente americano, Donald Trump, declarou no domingo que as tentativas iranianas de bloquear a passagem "terão de ser enfrentadas com força". A operação, batizada de "Projeto Liberdade", visa auxiliar milhares de marinheiros presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra.
Reação dos Emirados Árabes e incerteza no transporte marítimo
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que suas defesas antiaéreas interceptaram 15 mísseis e quatro drones lançados pelo Irã. Enquanto isso, a MarineTraffic registrou um petroleiro panamenho se aproximando do estreito na manhã de terça-feira, embora não estivesse claro se tentaria atravessá-lo rumo a Singapura.
O Joint Maritime Information Center, liderado pelos EUA, orientou navios a cruzarem a região em águas de Omã, estabelecendo uma "área de segurança reforçada". No entanto, muitos armadores permanecem cautelosos diante do risco de novos confrontos.
Negociações indiretas e futuro incerto
Apesar das tensões, Irã e EUA mantêm canais de comunicação indiretos, com mensagens transmitidas via Paquistão. Qalibaf afirmou que o "status quo atual é intolerável para a América", sugerindo que Teerã ainda não esgotou suas opções de resposta.
"Sabemos muito bem que a manutenção da situação atual é insustentável para os Estados Unidos; enquanto isso, nós sequer começamos nossas ações."