Conflito EUA-Irã: da guerra aérea ao impasse naval
O confronto entre os Estados Unidos e o Irã, que antes se caracterizava por uma guerra aberta com ataques aéreos mútuos, agora se transformou em um impasse naval marcado por sequestros de navios, intimidações e operações de fiscalização marítima. O cessar-fogo de duas semanas, originalmente previsto para expirar na quarta-feira, foi estendido indefinidamente, sem previsão de retomada das negociações diretas entre as partes.
Nenhum dos lados está realizando bombardeios atualmente, mas a tensão persiste. Em vez de confrontos diretos, os EUA e o Irã passaram a interferir no tráfego marítimo na região, com ações que incluem abordagens a navios suspeitos de transportar petróleo iraniano.
Operações dos EUA no Oceano Índico
Na quinta-feira, o Departamento de Guerra dos EUA divulgou imagens de fuzileiros navais abordando um petroleiro no Oceano Índico, alegando que o navio transportava petróleo iraniano. Segundo comunicado oficial, as forças estadunidenses realizaram uma interdição marítima e abordagem de inspeção no navio sem bandeira M/T Majestic X, que transportava óleo do Irã na área de responsabilidade do Comando Indo-Pacífico (INDOPACOM).
"Continuaremos com a fiscalização marítima global para fazer cumprir as sanções." — Departamento de Guerra dos EUA (@DeptofWar), 23 de abril de 2026.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou ter redirecionado 33 navios durante o bloqueio às águas costeiras iranianas, uma estratégia para restringir o comércio de petróleo do país.
Resposta iraniana: sequestros no Estreito de Ormuz
Em resposta, o Irã divulgou imagens de um enxame de embarcações rápidas que sequestraram dois petroleiros no Estreito de Ormuz. A ação demonstra que, apesar das alegações de que as forças estadunidenses teriam neutralizado a ameaça naval iraniana, o país ainda mantém capacidade de perturbar o tráfego marítimo na região.
"O uso de embarcações rápidas e pequenas pelo Irã para sequestrar navios no Estreito de Ormuz pode minar a ideia de que os EUA desativaram sua capacidade naval, além de revelar os desafios para reabrir as rotas de exportação de petróleo." — Reuters, 23 de abril de 2026.
Fontes também relatam que o Irã teria atacado um terceiro navio, embora não tenha efetuado o sequestro.
Trump ameaça com resposta letal
Em meio à escalada, o presidente Donald Trump declarou, em sua plataforma Truth Social, que havia ordenado à Marinha dos EUA "atirar e matar" qualquer embarcação suspeita de lançar minas no estreito. Em entrevista coletiva na quinta-feira, Trump afirmou que não tinha pressa em encerrar o conflito e buscaria o melhor acordo possível.
Justiça dos EUA bloqueia lei da Califórnia contra agentes federais mascarados
Enquanto a tensão internacional cresce, um painel unânime de três juízes do 9º Circuito de Apelações dos EUA emitiu uma liminar preliminar que impede a Califórnia de aplicar sua lei No Vigilantes Act. A norma, aprovada em setembro de 2025, exigia que policiais não uniformizados — tanto estaduais quanto federais — exibissem identificação visível em público.
A decisão judicial reforça o argumento de que a Supremacia Cláusula da Constituição dos EUA proíbe que estados regulem diretamente ações do governo federal. Segundo o juiz Mark Bennett, a lei californiana "regula diretamente o governo federal", o que a torna inconstitucional.
Outra lei relacionada, a No Secret Police Act, também aprovada em 2025, proibia agentes federais de cobrir o rosto em público. Em dezembro daquele ano, o governo Trump entrou com uma ação judicial para bloquear a aplicação de ambas as leis, alegando que elas interferiam em operações federais.
Contexto: origem das leis na Califórnia
As leis foram criadas em resposta à deflagração de agentes federais mascarados em cidades da Califórnia, durante operações de imigração do governo Trump. A decisão judicial representa uma vitória para o Executivo federal, que argumenta que estados não podem impor restrições a agentes federais atuando em seu território.