Fracasso no lançamento do New Glenn ameaça missão lunar da NASA
A Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, enfrentou um revés significativo no último fim de semana. Durante seu terceiro lançamento, o foguete New Glenn não conseguiu posicionar um satélite de comunicação da AST SpaceMobile em uma órbita estável, transformando a carga em lixo espacial — e gerando um prejuízo milionário para a seguradora.
O incidente não foi apenas um constrangimento após mais de uma década de desenvolvimento. Especialistas alertam que o fracasso pode comprometer os planos da NASA de retornar astronautas à Lua até 2028, conforme o programa Artemis.
Investigação pode atrasar missões
A investigação sobre a falha, conduzida pela FAA (Federal Aviation Administration), pode se estender por meses. Segundo Todd Harrison, analista sênior do American Enterprise Institute, o processo pode durar de três a quatro meses — ou mais.
"Se demorar mais do que isso, é decepcionante e começa a impactar diretamente o programa Artemis."
O New Glenn foi projetado para lançar o Blue Moon, um dos dois módulos de pouso que a NASA contratou para transportar astronautas à superfície lunar. A outra empresa selecionada é a SpaceX, cujo foguete Starship também ainda não realizou um lançamento bem-sucedido.
Pressão sobre o cronograma do Artemis
O primeiro pouso tripulado da missão Artemis, originalmente previsto para 2024, foi adiado para 2028. Especialistas temem que o novo atraso possa ser ainda maior. A NASA planeja testar os módulos de pouso em órbita terrestre durante a missão Artemis 3, prevista para o próximo ano.
Embora os astronautas não pousem na Lua nessa missão, eles praticarão procedimentos de acoplamento, que exigirão múltiplos lançamentos bem-sucedidos — incluindo o Space Launch System e a espaçonave Orion — para ocorrerem simultaneamente.
"Isso será uma demonstração de se conseguimos executar esses cenários de múltiplos lançamentos nos quais estamos apostando tudo."
A Blue Origin ainda espera lançar um protótipo do Blue Moon até o final do ano, mas o fracasso do New Glenn coloca essa meta em risco. Sem um foguete funcional, a empresa pode não conseguir participar da missão Artemis 3.
"Se estou a um ano do lançamento e ainda não sei como será o perfil da missão, começo a ficar muito nervoso", afirmou Dumbacher.