O álbum Superbloom, lançado recentemente por Jessie Ware, chega carregado da mesma essência disco-pop que marcou seus sucessos anteriores. No entanto, desta vez, a recepção é mista: a produção luxuriante e os grooves dançantes estão presentes, mas a sensação de repetição e falta de originalidade é inevitável.

De 'What’s Your Pleasure?' a 'Superbloom': a evolução de Jessie Ware

Em 2020, Jessie Ware surpreendeu com What’s Your Pleasure?, um mergulho vibrante no disco e no funk que se tornou um refúgio durante a pandemia. Antes disso, a cantora britânica explorava um estilo mais soul e avant-garde, com influências do R&B elegante dos anos 70. Foi com esse álbum que ela elevou sua sensualidade retrô a um novo patamar, migrando de uma sonoridade minimalista para um maximalismo hedonista e dançante.

Em 2023, That! Feels! Good! intensificou ainda mais essa fórmula, adicionando um toque de glamour ao estilo de Ware, com referências ao Studio 54 e uma abordagem mais camp. Agora, Superbloom chega como a terceira parte dessa trilogia, prometendo mais da mesma magia, mas com resultados menos inspirados.

Produção opulenta, mas sem surpresas

Superbloom mantém a assinatura de Ware: harmonias vocais suaves, linhas de baixo funky e arranjos ricos em cordas e sintetizadores. A produção é impecável, mas a sensação de déjà vu é forte. Em muitos momentos, a cantora parece estar presa ao seu próprio estilo, repetindo fórmulas que já não soam tão frescas quanto antes.

Um dos pontos altos do álbum é a música “Ride”, que mistura o tema de Ennio Morricone de Três Homens em Conflito com um groove luxuriante. Outra faixa que se destaca é “Don’t You Know Who I Am”, que evoca o espírito de Donna Summer e Gloria Gaynor, com uma performance vocal intensa e emocionante.

Um momento de emoção: “16 Summers”

Entre as faixas mais convencionais, “16 Summers” surge como uma pérola inesperada. Uma balada comovente dedicada aos filhos de Jessie Ware, a música tem a grandiosidade de um número da Broadway às 23h. Apesar de seu tom melancólico, a interpretação de Ware é tão autêntica que transmite toda a urgência emocional da canção.

Esse momento de vulnerabilidade é ainda mais impactante quando se considera o contexto pessoal da cantora. Nos últimos anos, Ware perdeu amigos e colaboradores próximos, o que torna a busca por alegria e conforto ainda mais significativa. Como ela mesma sugere, encontrar gratidão na vida pode ser tão poderoso quanto a busca pela felicidade.

O que falta a 'Superbloom'?

Apesar dos momentos brilhantes, Superbloom sofre com a sensação de que Jessie Ware está repetindo sua fórmula sem inovar. A produção é impecável, os vocais são cativantes, mas a falta de surpresas torna o álbum menos memorável do que seus predecessores.

Não há dúvida de que Ware domina o gênero disco-pop, mas, em um cenário musical cada vez mais competitivo, a reinvenção constante é essencial. Infelizmente, Superbloom parece mais um passo atrás do que um avanço.

Pontos positivos:

  • Produção luxuriante e impecável;
  • Momentos de grande emoção, como em “16 Summers”;
  • Vocais poderosos e envolventes;

Pontos negativos:

  • Falta de inovação e originalidade;
  • Sensação de repetição em relação aos álbuns anteriores;
  • Algumas faixas soam como preenchimento;

Em resumo, Superbloom é um álbum competente, mas que não consegue capturar a magia dos trabalhos anteriores de Jessie Ware. Para os fãs do gênero, pode ser uma boa pedida, mas quem busca inovação e surpresas pode se decepcionar.

Fonte: AV Club