Cinco das maiores editoras de livros dos Estados Unidos e o escritor Scott Turow entraram com uma ação judicial contra a Meta e seu CEO, Mark Zuckerberg, acusando a empresa de ter treinado seus sistemas de inteligência artificial com milhões de obras protegidas por direitos autorais, obtidas ilegalmente em sites de pirataria e raspagem não autorizada de conteúdo na internet.

A ação, protocolada na Justiça Federal de Nova York na terça-feira (13), alega que Zuckerberg teria instruído a Meta a copiar obras de livros, artigos e outros conteúdos escritos para treinar o modelo de IA generativa Llama, ignorando completamente os direitos autorais. Segundo o processo, a empresa teria utilizado métodos como torrent ilegal e raspagem de dados não autorizada para coletar milhões de obras protegidas.

"Em sua busca para vencer a 'corrida armamentista' da IA e construir um modelo funcional de IA generativa, os réus, Meta e Zuckerberg, seguiram seu conhecido lema: 'mover rápido e quebrar coisas'. Eles primeiro piratearam ilegalmente milhões de livros e artigos de periódicos de sites notórios de pirataria e baixaram raspagens não autorizadas de praticamente toda a internet. Depois, copiaram repetidamente esses conteúdos roubados para treinar o sistema de IA generativa de bilhões de dólares da Meta, chamado Llama. Ao fazer isso, os réus cometeram uma das maiores violações de direitos autorais da história."

As editoras envolvidas no processo são Hachette, Macmillan, McGraw Hill, Elsevier e Cengage. Elas afirmam que a Meta, sob a direção de Zuckerberg, copiou milhões de obras sem qualquer autorização, incluindo títulos de propriedade das editoras e autores representados. Além disso, a empresa teria removido informações de gestão de direitos autorais das obras roubadas, na tentativa de esconder as fontes e facilitar o uso não autorizado.

A ação busca indenizações não especificadas em um julgamento com júri. O processo também revela que a Meta chegou a considerar aumentar em US$ 200 milhões o orçamento para licenciamento de obras após o lançamento da primeira versão do Llama. No entanto, a decisão foi "escalada" para Zuckerberg, que teria instruído a equipe a interromper os esforços de licenciamento.

"Se licenciarmos sequer um único livro, não poderemos recorrer à estratégia de 'uso justo'", teria dito um funcionário da Meta, segundo o processo.

O documento ainda destaca que o sistema de IA da Meta é capaz de gerar substitutos rápidos e em escala para as obras das editoras e autores, inclusive reproduzindo elementos criativos e escolhas estilísticas de escritores específicos. "Os usuários comemoram a capacidade da IA de gerar livros com facilidade, e o Llama está inundando o mercado com substitutos gerados por IA", diz o processo. "A velocidade e a escala com que o Llama produz obras escritas e compete com escritores humanos é sem precedentes, e só é possível porque os réus copiaram as obras das editoras e autores para treinar seu modelo de linguagem."

Em resposta, um porta-voz da Meta afirmou à Variety que ações semelhantes já foram rejeitadas pela Justiça. "A IA está impulsionando inovações transformadoras, produtividade e criatividade para indivíduos e empresas, e os tribunais já reconheceram que o treinamento de IA com material protegido por direitos autorais pode se qualificar como uso justo", declarou o representante.

Fonte: The Wrap