O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) iniciou uma auditoria interna sobre a liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein, conforme reportado pela Associated Press nesta quinta-feira (17). A medida ocorre após a entrada em vigor da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada por um grupo bipartidário no Congresso, mesmo após críticas de Donald Trump, que a chamou de "farsa".

A lei tornou públicos milhões de documentos governamentais sobre o condenado traficante sexual. No entanto, a liberação lenta, desorganizada e ainda incompleta gerou questionamentos sobre as ações do DOJ durante o governo de Pam Bondi, ex-procuradora-geral da Flórida.

Acusações de ocultação e erros graves

O DOJ enfrenta acusações de tentar esconder evidências que poderiam vincular Trump ao caso Epstein. Agora, a Inspeção Geral do Departamento investigará como os materiais foram coletados, revisados e editados antes da publicação.

Os primeiros problemas surgiram quando o DOJ descumpriu o prazo de 30 dias determinado pelo Congresso em novembro, alegando necessidade de mais tempo para revisar registros adicionais.

Declarações falsas e falhas na liberação

Bondi, que já afirmou à Fox News em fevereiro de 2025 que a lista de clientes de Epstein estava "sobre sua mesa", foi desmentida meses depois pelo próprio DOJ, que negou a existência do documento. Em janeiro, o departamento liberou cerca de 3 milhões de arquivos, mas com falhas graves: nomes e fotos nuas de quase 100 vítimas foram expostos, enquanto informações potencialmente relevantes para investigações foram ocultadas.

O DOJ retirou milhares de documentos após o erro, justificando com "erro técnico ou humano". Enquanto isso, indivíduos que expõem fotos íntimas de terceiros sem consentimento são presos, mas nenhum responsável pelo DOJ foi demitido.

Consequências e falta de transparência

Até o momento, ninguém foi preso nos EUA por envolvimento no esquema de tráfico sexual de Epstein, mesmo com documentos que poderiam servir como prova. Além disso, 2,5 milhões de arquivos ainda não foram liberados, mantendo informações cruciais sobre a rede de Epstein fora do alcance público.

Espera-se que a auditoria identifique os erros e promova a liberação total dos documentos. No entanto, a investigação interna levanta dúvidas sobre mudanças efetivas no DOJ. Trump, por sua vez, já demitiu ou rebaixou mais de 20 inspetores-gerais durante seu segundo mandato, reduzindo a fiscalização sobre seu governo.