O indicado de Donald Trump para presidir o Federal Reserve, Kevin Warsh, não superou o teste de independência durante audiência no Senado nesta terça-feira (21). O evento ocorreu sob a sombra das tentativas de Trump de perseguir o atual presidente do Fed, Jerome Powell — uma atitude que ameaça tanto o Estado de Direito quanto as perspectivas econômicas de longo prazo dos EUA.

Falta de respostas claras

Warsh, ex-membro do conselho do Fed, teve a oportunidade de demonstrar seu compromisso com a autonomia do banco central, mas não respondeu a duas questões fundamentais:

  • Se a investigação criminal de Trump contra Powell é apropriada;
  • Como agiria se Trump retaliasse contra suas decisões de política monetária.

Ambas as perguntas são essenciais, especialmente diante das demandas de Trump por cortes nas taxas de juros — uma política que Warsh já sinalizou apoiar. No entanto, nenhuma delas foi sequer formulada durante a audiência.

Um candidato com credenciais, mas sem firmeza

Ao contrário de outros nomes considerados por Trump para cargos no Fed, Warsh não é evidentemente incompetente ou desqualificado. Ele tem experiência no mercado financeiro, formação acadêmica sólida e atuou no conselho do Fed entre 2006 e 2011, nomeado por George W. Bush. Muitos especialistas o consideram tecnicamente apto para o cargo.

O problema, no entanto, não é sua capacidade técnica, mas sua disposição para resistir a pressões políticas. Historicamente, Warsh defendeu políticas monetárias mais rígidas, como juros altos e redução do balanço do Fed — posições opostas às que Trump exige hoje.

"Warsh sempre foi visto como um 'falcão da inflação', preocupado com o controle dos preços mesmo em momentos de crise. Em 2008, um dia após a quebra do Lehman Brothers, ele ainda alertava para riscos inflacionários — quando, na prática, o mundo enfrentava deflação."

Mudanças de posição suspeitas

Warsh já alterou seu discurso em pelo menos duas ocasiões: pouco antes das eleições de Trump em 2016, criticou cortes nas taxas de juros, mas meses depois, quando Trump buscava um novo presidente para o Fed, passou a apoiar políticas mais acomodatícias. A mudança de tom levantou suspeitas sobre sua independência.

Com a economia americana sob forte pressão inflacionária — agravada pela guerra no Irã e pelas políticas protecionistas de Trump — a nomeação de Warsh representa um risco para a estabilidade monetária. Sua incapacidade de se posicionar claramente durante a audiência apenas reforçou as dúvidas sobre sua capacidade de liderar o Fed de forma imparcial.