Influenciadores e a romantização do comunismo
Há cinco meses, o streamer Hasan Piker surpreendeu ao ler trechos de um ensaio de Vladimir Lênin durante uma transmissão ao vivo no Twitch. O texto, O Comunismo de Esquerda: Doença Infantil (1920), critica comunistas europeus por não participarem de estruturas políticas e sindicais tradicionais. Piker, conhecido por suas posições polêmicas, já havia elogiado Mao Tsé-Tung e afirmou que a queda da URSS foi "uma das maiores catástrofes do século XX".
O fenômeno 'comunismo chic' nas redes
A admiração por regimes comunistas não é exclusividade de Piker. Desde os anos 2010, a ideologia ganhou espaço em espaços progressistas, com artigos em veículos como Salon e The New Republic minimizando seus fracassos históricos. Em 2016, a revista publicou um texto intitulado Quem Tem Medo do Comunismo?, que ridicularizou a postura anticomunista de Hillary Clinton.
Podcasts de esquerda radical, como Chapo Trap House, também abraçaram a causa, defendendo regimes autoritários e culpando o capitalismo por supostos crimes cometidos por governos comunistas. Até a Teen Vogue, conhecida por seu conteúdo de moda e estilo, celebrou o bicentenário de Karl Marx em 2018, chamando seus escritos de inspiração para "movimentos sociais" — uma referência velada a regimes como os da Rússia e Cuba.
Pesquisas revelam mudança de percepção entre jovens
Dados da Victims of Communism Foundation mostram que, enquanto apenas 15% dos americanos têm uma visão favorável ao comunismo, o número sobe para 25% entre millennials e a Geração Z. Especialistas atribuem esse fenômeno à falta de conhecimento histórico e à romantização da ideologia em plataformas digitais.
Raízes históricas do 'comunismo chic'
O fenômeno não é novo. Nos anos 1920 e 1930, intelectuais ocidentais viajavam à URSS como "peregrinos políticos", segundo o livro O Deus que Falhou (1951), que reúne depoimentos de ex-comunistas desiludidos. A queda do Muro de Berlim, em 1989, parecia ter encerrado essa fase, mas a internet reacendeu o debate.
Críticas e consequências
Críticos apontam que a glamourização do comunismo ignora suas falhas históricas, como os gulags, perseguições políticas e crises econômicas. "É uma tendência perigosa que distorce a realidade em nome de uma ideologia", afirma o historiador Timothy Snyder.
O papel das redes sociais
Plataformas como TikTok e Twitter amplificam discursos que associam o comunismo a causas progressistas, como direitos trabalhistas e justiça social. No entanto, especialistas alertam para a falta de contexto histórico nesses debates.
Conclusão: Um debate que não deve desaparecer
Enquanto o comunismo continua a ser discutido — e, em alguns casos, romantizado — nas redes, o debate sobre seus reais impactos permanece polarizado. Para os defensores, trata-se de uma crítica ao capitalismo; para os críticos, é uma negação da história.