Crise no Golfo Persico eleva custos de combustível e manutenção de veículos

A escalada do conflito militar entre Irã e outros países do Oriente Médio está reduzindo a oferta global de petróleo, impactando diretamente os preços da gasolina nos Estados Unidos. Agora, a escassez atinge também os óleos lubrificantes, com reflexos imediatos para proprietários de veículos.

Segundo a Independent Lubricant Manufacturers Association (ILMA), representantes do setor se reuniram recentemente com o Departamento de Energia dos EUA para discutir a falta de óleos-base, insumos essenciais para a produção de lubrificantes e óleos sintéticos.

Óleos do Grupo III em risco

Os óleos-base do Grupo III — usados na fabricação de óleos sintéticos para motores — são os mais afetados. Cerca de 60% desse insumo é destinado à indústria automotiva. No entanto, 45% da produção global desse tipo de óleo vem do Golfo Persico, região diretamente impactada pelo fechamento do Estreito de Ormuz devido ao conflito.

O problema se agrava porque a Coreia do Sul, responsável por 30% das importações americanas de óleos do Grupo III, depende fortemente do petróleo do Golfo Persico. Embora refinarias sul-coreanas possam buscar alternativas, a produção deve cair, segundo relatório da ILMA.

Refinarias dos EUA não conseguem compensar a demanda

As refinarias americanas produzem óleos do Grupo III, mas novas unidades de produção só entrarão em operação em 2025, quando refinarias da Chevron e ExxonMobil ampliarem capacidade. Além disso, a reciclagem desses óleos é limitada pela falta de matéria-prima e tecnologia.

Com a oferta reduzida e a demanda crescente, os consumidores enfrentarão aumento nos preços da gasolina e dos serviços de troca de óleo. A General Motors (GM) já sente o impacto: seus óleos Dexos — que dependem de óleos do Grupo III — devem ficar mais caros ou difíceis de encontrar.

“Reconhecemos que a escassez de óleos do Grupo III pode persistir por algum tempo. Incentivamos empresas de aditivos e distribuidores a apresentar alternativas tecnicamente justificadas.”

— Carta da GM à ILMA

GM rejeita flexibilização temporária

A GM, embora tenha demonstrado preocupação com a situação, negou pedidos da ILMA para permitir flexibilização temporária nas especificações dos óleos Dexos. A empresa afirmou que não há base técnica para mudanças no momento.

Enquanto isso, motoristas nos EUA devem se preparar para gastos maiores com manutenção veicular nos próximos meses, com reflexos também em outros setores dependentes de lubrificantes.