Moscou — Com a aproximação do Dia da Vitória, comemorado em 9 de maio, a Rússia enfrenta um cenário inédito: pela primeira vez em décadas, o tradicional desfile militar na Praça Vermelha será drasticamente reduzido. Tanques e equipamentos pesados não circularão pela capital. Apenas uma coluna de soldados e cadetes marchará a pé, segundo anunciou o Ministério da Defesa russo.

O motivo oficial é o risco terrorista — uma referência velada aos drones ucranianos que têm atingido alvos cada vez mais distantes da linha de frente. A Ucrânia já realizou ataques em cidades como Ecaterimburgo, Tcheliabinsk e Perm, a mais de 1 mil km da fronteira ucraniana, demonstrando capacidade de penetrar nas defesas russas.

Putin pede cessar-fogo a Trump

Em uma ligação surpreendente, o presidente russo, Vladimir Putin, entrou em contato com o ex-presidente americano Donald Trump na semana passada. Segundo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, Putin teria proposto um cessar-fogo temporário durante as comemorações do Dia da Vitória. Trump afirmou aos repórteres que a ideia partiu dele, mas Ushakov e a mídia russa indicam que a iniciativa foi russa.

Analistas interpretam o gesto como um pedido de ajuda para evitar que drones ucranianos atrapalhem o evento. Elena Malakhovskaya, apresentadora do programa Khodorkovsky Live, resumiu a situação com ironia:

"No quinto ano da guerra, é Zelensky quem decide se Putin poderá aparecer na Praça Vermelha no Dia da Vitória."

Ataque recente expõe vulnerabilidades

Na segunda-feira (6), um drone ucraniano violou as defesas aéreas de Moscou, reforçando os temores do Kremlin. O incidente ocorreu dias após Putin ter feito o apelo a Trump, sugerindo que a Rússia está cada vez mais pressionada pela estratégia ucraniana de ataques profundos.

Guerra de narrativas e derrotas no campo

Enquanto a propaganda russa, como a apresentadora Olga Skabeyeva, da Rossiya-1, tenta atribuir os ataques a um suposto "terrorismo aéreo" ucraniano, a realidade no front conta outra história. Relatórios recentes indicam que, pela primeira vez desde meados de 2023, a Rússia perdeu mais território do que conquistou em abril.

No Ocidente, até mesmo céticos em relação à Ucrânia, como o blogueiro Andrew Sullivan, passaram a elogiar o que chamam de "milagre ucraniano". Dentro da Rússia, até mesmo analistas pró-guerra admitem que a situação está em um "beco sem saída".

Para especialistas como Brynn Tannehill, a primavera de 2024 marcou uma virada estratégica no conflito, com a Ucrânia ganhando vantagem em operações de longo alcance e desgaste das forças russas.