A Associação Americana do Coração (AHA) publicou novas diretrizes alimentares com nove recomendações-chave para promover a saúde cardiovascular e reduzir o risco de doenças cardíacas. O documento, lançado em 31 de março de 2026 na revista Circulation, substitui orientações anteriores e foca em padrões alimentares globais, não em alimentos ou nutrientes isolados.

Diretrizes flexíveis e adaptáveis a qualquer contexto

As novas recomendações da AHA destacam que uma dieta saudável para o coração deve ser flexível, culturalmente sensível e adaptável às preferências individuais. Além disso, aplica-se a todos os tipos de alimentos e bebidas, independentemente do local de consumo — seja em casa, restaurantes, escolas ou locais de trabalho. O objetivo é tornar as escolhas saudáveis as mais acessíveis e fáceis em qualquer ambiente.

Os 9 pilares de uma dieta cardiosaudável

A AHA elencou nove características essenciais para uma alimentação que protege o coração:

  • Equilíbrio entre ingestão e gasto calórico: Manter um peso saudável é fundamental. Isso inclui consumir a quantidade certa de calorias para o nível de atividade física. Crianças e adolescentes devem praticar 60 minutos de atividade física diária, enquanto adultos devem fazer pelo menos 150 minutos de exercícios moderados a vigorosos por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular.
  • Consumo abundante de vegetais e frutas: Priorizar vegetais e frutas inteiros ou minimamente processados, ricos em nutrientes e fibras. Opções congeladas ou enlatadas são aceitáveis desde que não contenham açúcares ou sódio adicionados.
  • Preferência por grãos integrais: Substituir grãos refinados por integrais, como aveia, arroz integral, quinoa e trigo integral, que oferecem mais fibras e nutrientes. O consumo regular está associado à redução de riscos de doenças cardíacas, derrame e diabetes.
  • Fontes saudáveis de proteína: Optar por proteínas vegetais, como leguminosas e nozes, ricas em fibras e gorduras saudáveis. Incluir peixes e frutos do mar regularmente por seus ácidos graxos ômega-3. Escolher laticínios desnatados ou sem gordura e, se consumir carne vermelha, preferir cortes magros, evitar carnes processadas e controlar as porções.
  • Substituição de gorduras saturadas por insaturadas: Usar óleos vegetais não tropicais, como azeite, óleo de canola e soja, em vez de gorduras animais (manteiga, gordura bovina) ou óleos tropicais (coco, dendê). Essa mudança reduz o colesterol LDL prejudicial e o risco de doenças cardíacas.
  • Evitar alimentos ultraprocessados: Priorizar alimentos minimamente processados em detrimento dos ultraprocessados, que contêm excesso de açúcares, sódio e conservantes. Esses produtos estão ligados à obesidade, diabetes e doenças cardíacas.
  • Redução do sódio: Limitar a ingestão de sódio a menos de 2.300 mg por dia (equivalente a cerca de uma colher de chá de sal). A redução para 1.500 mg diários traz benefícios ainda maiores para a saúde cardiovascular.
  • Moderação no consumo de álcool: Se consumido, limitar a quantidade. Para homens, até duas doses por dia; para mulheres, até uma dose. Uma dose equivale a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de destilados.
  • Prioridade a padrões alimentares desde a infância: Adotar hábitos saudáveis desde cedo e mantê-los ao longo da vida é essencial para a saúde cardiovascular a longo prazo.

Abordagem progressiva e realista

Os especialistas da AHA recomendam começar com pequenas mudanças e, gradualmente, incorporar mais hábitos saudáveis. A flexibilidade das diretrizes permite adaptação a diferentes estilos de vida, culturas e condições socioeconômicas, tornando-as mais acessíveis e sustentáveis.

"Uma dieta saudável para o coração não precisa ser complicada ou restritiva. O importante é criar padrões alimentares que possam ser mantidos a longo prazo, adaptados às preferências e ao contexto de cada pessoa." — Dr. Lawrence J. Appel, presidente do comitê que elaborou as diretrizes

Impacto das novas diretrizes

Segundo a AHA, seguir essas nove recomendações pode reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no mundo. As diretrizes também enfatizam a importância de políticas públicas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis em comunidades de todos os níveis socioeconômicos.

Para mais informações, consulte o documento completo da AHA disponível na revista Circulation.