A presença de discussões sobre looksmaxxing no LinkedIn já não surpreende. O termo, que surgiu em fóruns da manosfera na década de 2010, refere-se a métodos extremos para melhorar a aparência física — como cirurgias de mandíbula — sob a justificativa de 'otimização pessoal'.
O conceito ganhou visibilidade após a participação do influenciador Clavicular, de 20 anos, na New York Fashion Week, com cobertura em veículos como The New York Times e GQ. Termos como 'otimização' e 'looksmaxxing' estão diretamente ligados à manosfera, um ecossistema online que promove visões ultrapassadas de masculinidade, misoginia e resistência ao feminismo.
Documentários da Netflix e reportagens em veículos como NBC News e Wall Street Journal ampliaram o debate. Agora, a linguagem da manosfera começa a invadir o ambiente de trabalho.
Liam, executivo de RH que pediu anonimato para falar livremente, relatou ter identificado termos como 'alfa', 'beta', 'Chad' e 'Stacy' entre funcionários. 'Isso levanta bandeiras vermelhas, mas ainda não tive problemas com esses colaboradores', afirmou. Embora a manosfera possa parecer nova para quem não acompanha subculturas online, sua influência já se espalha há anos — agora, simplesmente temos mais ferramentas para reconhecê-la.
A expansão silenciosa da manosfera
Para entender como subculturas online migram para o cotidiano, conversei com Whitney Phillips, professora associada da Universidade de Oregon, especializada em ética midiática e comportamento digital. Segundo ela, o termo 'manosfera' tornou-se cada vez mais abrangente, abarcando desde influenciadores como Andrew Tate até figuras ligadas à cultura do 'hustle' ou ao UFC — grupos com ideologias distintas, mas unidos sob um mesmo rótulo.
À medida que a mídia cobre esses grupos, o termo absorve novas ideias e públicos, criando uma 'frente unificada' que atrai seguidores. Phillips citou declarações de Mark Zuckerberg em podcasts sobre trazer 'masculinidade' de volta ao ambiente de trabalho — linguagem que ecoa a ideia de que liderança exige traços tradicionalmente masculinos, como dominância, ou que iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) 'enfraqueceram' a cultura corporativa.
Essa generalização, segundo ela, pode facilitar a adesão de novos membros à manosfera, normalizando discursos problemáticos no cotidiano.