Advogado-Geral interino minimiza ameaça do slogan '86 47'

O advogado-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, admitiu no domingo (4) que o slogan "86 47", amplamente utilizado em produtos vendidos na Amazon, não constitui uma ameaça séria ao ex-presidente Donald Trump. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, apresentado por Kristen Welker.

A discussão surgiu após a promotoria federal indiciar o ex-diretor do FBI, James Comey, pela segunda vez, alegando que uma postagem sua com o slogan teria ameaçado Trump. Blanche foi questionado se indivíduos que compram ou vendem produtos com o termo poderiam ser alvo de processos judiciais.

"Isso não se trata de um único incidente", afirmou Blanche. "O termo é constantemente utilizado, e há pessoas que optam por fazer declarações ameaçadoras contra o presidente Trump. Nem todas resultam em indiciamentos, é claro", completou.

Investigação e contexto do caso

Welker insistiu no tema, perguntando se os próprios produtos seriam a raiz do indiciamento. Blanche respondeu que cada caso depende de investigações específicas, mas que o uso generalizado do termo não justifica automaticamente uma ação judicial.

"Sem dúvida — e isso deve ficar claro pelo fato de terem se passado 11 meses desde a postagem até o indiciamento — há uma investigação que ocorre. E o resultado dessa investigação é o indiciamento retornado na semana passada", declarou.

Blanche reforçou que não há previsão de processos contra quem vende ou compartilha o slogan, desde que não haja contexto de ameaça concreta. "Claro que não. O termo é constantemente usado", afirmou.

Diferença entre o caso de Comey e outros

Embora o termo "86 47" seja amplamente disseminado entre críticos de Trump, a promotoria alegou que a postagem de Comey com conchas de praia representava uma "expressão séria de intenção de causar dano" ao ex-presidente. O indiciamento, no entanto, não mencionou outros materiais ou contextos que reforçassem a legitimidade da ameaça.

Blanche não detalhou o que tornou o caso de Comey distinto de outros usos do slogan. Sua justificativa se limitou ao tempo de investigação — 11 meses — de uma postagem altamente divulgada no Instagram. Parece que a única diferença foi a autoria: uma pessoa que Trump classificou como inimiga.

Repercussão e críticas

Críticos do governo Trump argumentam que a decisão de indiciar Comey, enquanto o uso generalizado do termo continua impune, reforça a percepção de perseguição política. A defesa de Comey, no entanto, deve argumentar que a postagem específica continha elementos que justificavam a ação judicial, independentemente da popularidade do slogan.

O caso permanece em aberto, com desdobramentos esperados nos próximos meses, enquanto a sociedade americana debate os limites da liberdade de expressão e o uso de linguagem ambígua em contextos políticos.