O administrador da NASA, Jared Isaacman, reacendeu um antigo debate astronômico ao defender a reclassificação de Plutão como planeta. Durante uma audiência no Senado dos EUA na terça-feira, Isaacman declarou: “Sou da opinião de que Plutão deve ser um planeta novamente.”
A declaração, que ecoa o slogan político “Faça [algo] Grande Novamente”, sugere que a agência espacial está revisando critérios científicos para reavaliar a classificação do corpo celeste. Isaacman afirmou que a NASA está desenvolvendo estudos para promover essa discussão na comunidade científica, em homenagem ao astrônomo Clyde Tombaugh, descobridor de Plutão em 1930.
A classificação de Plutão como planeta foi questionada após a definição formal da União Astronômica Internacional (IAU), em 2006. Segundo os critérios estabelecidos, um planeta deve:
- Orbitar o Sol;
- Ter massa suficiente para ser esférico;
- Ter “limpado” sua órbita, ou seja, não compartilhar sua trajetória com outros objetos de tamanho semelhante.
Plutão não atende ao terceiro critério, pois compartilha sua órbita com outros corpos no Cinturão de Kuiper. Por isso, foi reclassificado como “planeta anão”, uma categoria que inclui outros quatro objetos no Sistema Solar.
A decisão gerou controvérsia entre o público, que muitas vezes vê a reclassificação como uma “rebaixamento injusto”. A percepção de que uma burocracia afastou Plutão do imaginário coletivo como planeta gerou resistência, especialmente entre entusiastas da astronomia.
No entanto, muitos cientistas apoiam a decisão por razões técnicas. Mike Brown, astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, afirmou ao The Independent:
“Embora administradores da NASA possam nostalgicamente desejar que Plutão fosse um planeta, os cientistas que trabalham no campo continuarão a classificar os objetos do Sistema Solar de forma a ajudar a compreender o mundo em que vivemos.”
Bill McKinnon, diretor do Centro McDonnell de Ciências Espaciais da Universidade de Washington, chamou o debate de “perda de tempo”.
“Claro que Plutão é um planeta, mas não é um planeta como a Terra ou Júpiter.”
A discussão, embora simbólica, reflete tensões entre ciência, percepção pública e a evolução do conhecimento astronômico. Enquanto a NASA explora novas perspectivas, a comunidade científica mantém sua posição baseada em critérios estabelecidos.