A Coinbase anunciou a demissão de cerca de 700 funcionários, o que representa 14% de sua força de trabalho, como parte de uma reestruturação estratégica liderada pelo CEO Brian Armstrong. A decisão foi comunicada em um post no X (antigo Twitter), no qual Armstrong compartilhou o e-mail completo enviado aos colaboradores.

No comunicado, Armstrong destacou que a empresa está em um mercado em baixa e precisa ajustar sua estrutura de custos para se tornar mais ágil e eficiente. "Precisamos emergir desse período mais enxutos, rápidos e preparados para a próxima fase de crescimento", afirmou.

Mudanças estruturais e foco em IA

Além da redução de custos, a Coinbase planeja reestruturar suas operações, eliminando camadas hierárquicas intermediárias. Segundo Armstrong, a empresa passará a ter no máximo cinco níveis entre executivos e funcionários, simplificando a cadeia de comando. A meta é reduzir a burocracia e aumentar a eficiência.

Outra mudança significativa é o foco em talentos especializados em IA. Armstrong mencionou que a empresa buscará profissionais capazes de integrar inteligência artificial em seus processos. Além disso, a Coinbase experimentará equipes unipessoais, nas quais um único profissional acumulará funções tradicionalmente divididas entre engenheiros, designers e gerentes de produto.

Contexto do mercado e demissões recentes

A decisão da Coinbase faz parte de uma tendência no setor tecnológico, onde empresas como Meta e Snap também anunciaram cortes significativos de pessoal. A Meta, por exemplo, demitiu 10% de seus funcionários neste mês, enquanto a Snap reduziu 16% de sua equipe em dezembro de 2023.

Em fevereiro, a Block (antiga Square) demitiu 40% de seus funcionários, com o CEO Jack Dorsey afirmando que a IA poderia substituir cargos de gerência intermediária. "A IA está transformando a forma como trabalhamos, e precisamos nos adaptar rapidamente", declarou Dorsey na ocasião.

Benefícios aos funcionários demitidos

Armstrong garantiu que os funcionários afetados nos EUA receberão pelo menos 16 semanas de salário base, além de duas semanas de indenização por ano trabalhado. Para aqueles em visto de trabalho, a empresa oferecerá suporte adicional de transição.

Por que agora?

No e-mail enviado aos funcionários, Armstrong explicou que duas forças estão impulsionando a decisão: o mercado volátil e o avanço da IA. Embora a Coinbase esteja bem capitalizada e diversificada, a empresa enfrenta ciclos de alta e baixa no setor de criptomoedas. "Precisamos nos preparar para a próxima onda de adoção, como stablecoins e mercados de previsão", afirmou.

Já a IA está redefinindo processos internos, exigindo uma estrutura mais ágil e menos hierárquica. "Estamos construindo uma empresa que possa performar em todos os ciclos de mercado", concluiu Armstrong.