O Programa de Auxílio Nutricional Suplementar (SNAP), conhecido popularmente como cupons alimentares, impõe uma restrição curiosa: enquanto itens como pão, bife, peixe, batatas fritas e bananas podem ser comprados com o benefício, alimentos prontos para consumo — como frangos assados, macarrão com queijo ou purê de batatas em balcões aquecidos — não são permitidos.
Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, que administra o programa, quase 80% das famílias beneficiadas incluem crianças, idosos ou pessoas com deficiência. Para esses grupos, refeições prontas e acessíveis seriam uma solução prática. Até agora, no entanto, a regra não permitia essa flexibilidade.
Uma mudança ocorreu na Câmara dos EUA na última quinta-feira (12). Os deputados incluíram uma emenda no projeto de lei agrícola de US$ 390 bilhões que redefine o conceito de "alimento" para incluir frango assado. Outros pratos prontos, no entanto, não foram contemplados. Antes de ser incorporada ao projeto maior, a proposta havia sido apresentada separadamente pelos senadores como o "Hot Rotisserie Chicken Act", de autoria bipartidária.
Embora a medida ainda precise ser aprovada pelo Senado, a Câmara aprovou o projeto de lei agrícola por 224 votos a 220, majoritariamente ao longo de linhas partidárias. Apenas 14 democratas se uniram aos republicanos na votação.
O que pode parecer um avanço para os beneficiários do SNAP — 75% dos quais vivem abaixo da linha da pobreza — esconde um custo elevado. Ao apoiar a inclusão do frango assado, os deputados também endossaram um corte de US$ 187 bilhões no SNAP ao longo de cinco anos. Essa parte do projeto não agradou à maioria dos democratas.
Enquanto a discussão sobre alimentos prontos avança, a redução drástica no orçamento do programa alimentar gera polêmica. O futuro da medida dependerá agora da análise do Senado, onde a proposta enfrentará novos debates.