Alemanha e Suécia se unem para impulsionar defesa contra drones

A SPRIND (Agência Federal Alemã para Inovações Disruptivas) e a Vinnova (agência sueca de inovação) fecharam uma parceria inédita para financiar projetos europeus de defesa contra drones hostis. As agências, tradicionalmente independentes, uniram esforços para apoiar equipes que desenvolvem sistemas capazes de proteger aeroportos, usinas nucleares e áreas civis de ameaças aéreas não autorizadas.

Um dos projetos apoiados é liderado por Martin Saska, professor de robótica da Universidade Técnica Tcheca, em Praga. Sua equipe desenvolve tecnologia anti-drone com o objetivo de neutralizar ameaças em ambientes críticos. A colaboração entre SPRIND e Vinnova representa mais do que um apoio pontual: é uma estratégia para fortalecer a inovação europeia em um cenário global de rápidas mudanças geopolíticas.

Por que drones são prioridade?

A escolha dos drones como foco da primeira iniciativa conjunta não é aleatória. Além de seu papel central em conflitos recentes no Oriente Médio, incidentes como sobrevoos não autorizados em aeroportos europeus no final de 2025 acenderam alertas nos governos. Há também crescente preocupação com a dependência de hardware russo e chinês em infraestruturas críticas, o que torna a defesa contra drones uma prioridade para forças policiais e militares do continente.

Segundo Jano Costard, chefe de desafios da SPRIND, a fragmentação do setor de drones na Europa é um obstáculo. "Se cada força policial exigir especificações diferentes para interceptores de drones, será um pesadelo para qualquer startup", explica. A parceria busca justamente criar uma demanda coordenada entre os países-membros, facilitando o desenvolvimento de soluções escaláveis.

Modelo inspirado na DARPA, mas com foco civil

Tanto a SPRIND quanto a Vinnova seguem o modelo da DARPA (agência de defesa dos EUA, responsável por inovações como internet e GPS), mas sem o viés militar. A SPRIND, fundada em 2019, ganhou poderes legais inéditos na Alemanha, como a possibilidade de deter participações acionárias em startups — algo raro para órgãos públicos alemães. Já a Vinnova, com mais de 20 anos de atuação, tem um histórico de sucesso em inovação, tendo contribuído para mais de 500 IPOs na Suécia nos últimos dez anos, superando países como Alemanha, França, Espanha e Holanda.

Darja Isaksson, diretora-geral da Vinnova, destaca a necessidade de investimentos em inovações radicais. "A Europa precisa não apenas aumentar os investimentos, mas também criar mecanismos para apoiar o crescimento dessas tecnologias", afirma. O objetivo é facilitar o acesso de fundos de capital privado a projetos promissores, incentivando o ecossistema de inovação.

"Precisamos de uma forma fundamentalmente diferente de financiar inovação se quisermos resultados diferentes. Se a SPRIND simplesmente copiasse o que todos os outros fazem, qual seria nosso valor agregado?" — Jano Costard, chefe de desafios da SPRIND

Impacto para startups e ecossistema europeu

Para empreendedores como Saska, o apoio das agências tem sido transformador. Sua empresa, EAGLE.ONE, desenvolve drones capazes de rastrear e neutralizar outras aeronaves não autorizadas. A vitória em um desafio da SPRIND em 2024, segundo ele, foi crucial para viabilizar o projeto. "Esse tipo de financiamento não apenas acelera o desenvolvimento, mas também valida nossas soluções perante investidores e clientes", declarou.

A parceria entre SPRIND e Vinnova é um reflexo do Relatório Draghi, que alertou para o atraso da Europa na transformação de ideias radicais em produtos comerciais. Ao criar um ambiente propício para inovações disruptivas, as agências buscam reverter esse cenário e posicionar o continente como líder em tecnologias estratégicas.

O futuro da defesa europeia contra drones

Com a crescente militarização de drones e o uso cada vez mais frequente em conflitos, a Europa enfrenta um desafio duplo: desenvolver suas próprias capacidades e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. A iniciativa conjunta entre Alemanha e Suécia é um passo importante nesse sentido, mas especialistas alertam que será necessário um esforço coordenado entre todos os países-membros para criar um mercado unificado e atrativo para startups.

Enquanto isso, projetos como o de Saska ganham impulso, demonstrando que a inovação europeia pode ser uma ferramenta poderosa não apenas para a defesa, mas também para a autonomia tecnológica do continente.