Um foguete da SpaceX, empresa de Elon Musk, deve atingir a superfície lunar ainda este ano — mas não da forma planejada. Segundo relatório do astrônomo Bill Gray, o estágio superior descartado de um Falcon 9 deve colidir com a Lua em agosto, possivelmente formando uma nova cratera.

Embora o evento possa ter algum interesse científico, especialistas destacam que ele representa um alerta sobre a crescente quantidade de lixo espacial e seus riscos para futuras missões lunares. "Não oferece perigo a ninguém, mas evidencia a falta de cuidado no descarte de equipamentos espaciais", afirmou Gray, criador do Project Pluto, ferramenta usada para rastrear objetos próximos à Terra.

O impacto está previsto para ocorrer às 2h44 (horário de Brasília) de 5 de agosto, próximo à cratera Einstein, no lado visível da Lua. O estágio superior do foguete, com cerca de 14 metros de comprimento, fazia parte de uma missão que levou dois pousadores lunares — Blue Ghost (Firefly) e Hakuto-R (ispace) — lançados em 15 de janeiro de 2025.

Desde então, o equipamento descartado permaneceu em órbita terrestre, com trajetória semelhante à da Lua. Observações de mais de 1.000 rastreamentos ao longo do último ano permitiram prever com alta precisão sua trajetória. "O movimento desses objetos é previsível, pois são influenciados pela gravidade da Terra, Lua, Sol e outros planetas", explicou Gray.

No entanto, a radiação solar pode causar pequenas alterações na trajetória, já que a luz refletida exerce pressão sobre o objeto. "À medida que o estágio gira, ele pode captar mais ou menos luz solar, refletindo-a em diferentes direções", disse. Embora esse efeito não seja suficiente para invalidar as previsões, ele reduz a precisão para alguns metros e frações de segundo.

Quando o choque ocorrer, o estágio do foguete atingirá a Lua a uma velocidade de 2,4 km/s — sete vezes a velocidade do som na Terra. Em 2022, Gray já havia acertado a previsão do impacto de outro estágio de foguete na Lua, inicialmente atribuído a um Falcon 9, mas depois identificado como parte da missão chinesa Chang’e 5-T1. O choque surpreendeu ao criar uma cratera dupla, fenômeno ainda não totalmente explicado pela ciência.

Especialistas veem no evento um sinal de alerta para os planos de exploração lunar. Com o aumento de missões tripuladas planejadas pelos EUA e China, o lixo espacial em órbita terrestre e lunar representa um risco crescente. "A órbita da Terra só ficará mais congestionada, e o perigo de detritos humanos perdidos aumentará", alertou Gray.

Fonte: Futurism