Na semana passada, encontrei um gambá literalmente com a mão na massa — ou melhor, na terra. Na noite anterior, ele e sua trupe haviam invadido meu jardim, cavando buracos aleatórios e arrancando as mudas recém-plantadas. Em três anos de jardinagem, nunca havia visto pessoalmente os responsáveis por esses estragos, já que eles agem à noite. Até aquele momento, só encontrava os vestígios de sua passagem: uma marca de pata suja em um regador derrubado por eles para beber água.
Enquanto isso, Zach Galifianakis, em sua nova série documental da Netflix This Is a Gardening Show, canta os louvores da jardinagem, destacando como regar e nutrir a terra pode ser uma atividade terapêutica. Em um episódio sobre compostagem, ele afirma:
"Acredito sinceramente que, para os seres humanos e para o mundo, o único futuro possível é o agrário. Deveríamos todos saber como jardinar. É um hobby muito melhor do que andar de jet ski."
Galifianakis, ele próprio um jardineiro, percorre fazendas em seis episódios curtos, mostrando que os jardineiros parecem mais felizes e divertidos do que a média das pessoas. Talvez seja pelo contato constante com a natureza, pela alimentação saudável ou pela nostalgia de reviver a infância ao procurar minhocas no composto. Ou, quem sabe, porque, naquela região, os gambás simplesmente não existem.
Mas a realidade de muitos jardineiros amadores é bem diferente. Enquanto Galifianakis encontra paz na jardinagem, outros lutam contra invasores noturnos que transformam o hobby em uma batalha. A série, embora ainda divertida, abandona o tom ácido de seu programa Between Two Ferns para abraçar uma abordagem mais doce e bucólica. Parte do humor vem de entrevistas com crianças sobre alimentos, nem sempre profundas, mas que rendem momentos engraçados.
Quando Galifianakis passeia por jardins, seu olhar cético dá lugar ao fascínio diante do que os agricultores conseguem produzir. Eu me identifico. Enquanto caminho pelo meu jardim pela manhã, após regar e avaliar os danos, também corto flores para secar e pendurar dentro de casa. Observo abelhas nativas polinizando minhas plantas e colho novos brotos de aspargo para comer crus — uma experiência única, já que nada se compara ao sabor de um aspargo recém-colhido, tenro e com um toque picante e levemente alho.
Os produtores apresentados na série, no entanto, estão muito à frente de mim: suas hortas não só alimentam suas famílias, como também geram excedentes. Mas, para muitos jardineiros, o objetivo não é a autossuficiência. A série contrasta com a agricultura industrial moderna, onde os preços dos alimentos disparam enquanto os agricultores lutam para pagar suas contas.