O início precoce e a estratégia por trás da fama
Maria Sharapova venceu Wimbledon em 2004, aos 17 anos, o primeiro de seus cinco títulos de Grand Slam. Naquele momento, a estratégia de alinhamento de marca já fazia parte de sua trajetória. Desde o primeiro dia, ela tomava decisões sobre sua imagem e carreira.
Após a vitória, seu então — e atual — empresário a orientou a aproveitar ao máximo a atenção da mídia. "Não há lente de câmera que você não vai adorar nesta noite. Aproveite cada segundo", disse ele. Em menos de uma semana, Sharapova estava de volta à Califórnia, treinando sete horas por dia, mas também negociando seu futuro.
Seu pai, presente na sala de negociações com a Nike, a incentivou a participar ativamente: "Este é o seu futuro, o seu dinheiro. Você precisa estar nessa sala". Mesmo sem entender completamente os termos financeiros, a presença dela na reunião enviou uma mensagem clara: sua imagem tinha valor. "Eles não vão baixar tanto a oferta se você estiver lá", recorda Sharapova.
Os primeiros passos no mundo dos negócios
Logo após assinar com a Nike, Sharapova fechou seu primeiro acordo fora do esporte: um contrato com a Motorola para promover o celular Razr. Embora o valor não fosse alto, a visibilidade global era imensa. "Espere só", disse seu empresário. "As pessoas vão te reconhecer, e isso vai abrir portas maiores".
Esse foi um dos muitos aprendizados que moldaram sua mentalidade empreendedora. "O tênis te ensina disciplina e foco, mas o mundo dos negócios exige algo mais: a capacidade de negociar, arriscar e, às vezes, recusar oportunidades que não agregam valor", afirmou.
O desafio de construir e fechar um negócio
Sharapova também compartilhou experiências menos bem-sucedidas, como o lançamento de uma marca de doces que, após um ano, foi encerrada. "Às vezes, você precisa falhar para entender o que realmente funciona", explicou. "No meu caso, aprendi que o mercado de alimentos é extremamente competitivo e que, sem um diferencial claro, é difícil se destacar".
Outro ponto abordado foi a negociação com gigantes como a Nike. "Sentar à mesa com executivos de uma marca global é intimidante, mas também uma oportunidade de aprender. Você precisa entender o valor que traz para a parceria e, ao mesmo tempo, saber quando é hora de recuar", disse.
O legado além das quadras
Hoje, Sharapova atua como investidora, empreendedora e apresentadora do podcast "Conversas com Sharapova", onde entrevista líderes de diversos setores. Para ela, o esporte foi apenas o começo de uma jornada de aprendizado constante.
"O maior desafio não é vencer partidas, mas construir uma carreira que sobreviva ao tempo. E isso exige mais do que talento — exige visão, resiliência e a coragem de arriscar."
Em entrevista ao programa Rapid Response, da equipe por trás do podcast Masters of Scale, Sharapova reforçou a importância de se adaptar e evoluir. "O mundo muda rápido, e quem não se reinventa, fica para trás", concluiu.