Projeto imposto por bilionário derruba decisão da comunidade

A disputa entre governos municipais e moradores nos EUA pelo controle de megacentros de dados ganhou mais um capítulo em Saline Township, no estado de Michigan. Após a rejeição unânime da prefeitura e da comissão de planejamento local, um projeto de US$ 16 bilhões foi imposto por meio de ação judicial, envolvendo a OpenAI e a Oracle.

Rejeição inicial e batalha legal

Em setembro, a comissão de planejamento de Saline Township negou o pedido de rezoneamento de 575 acres de área rural para a construção do megacentro de dados, proposto pela Related Digital, subsidiária de um conglomerado imobiliário controlado pelo bilionário Steven Roth.

Dois dias depois, a empresa entrou com uma ação judicial alegando "zoneamento excludente" por parte da prefeitura. A estratégia legal colocou os moradores em uma posição delicada: uma batalha prolongada poderia esvaziar os cofres do município, e mesmo uma vitória judicial não garantiria a rejeição do projeto. A Related Digital poderia contornar as leis locais ao se associar à Universidade de Michigan, que tem poder para ignorar regulamentações municipais.

Acordo forçado e parcerias milionárias

Diante da pressão, a prefeitura de Saline Township fechou um acordo para permitir a construção do centro de dados. Em outubro, foi revelado que o empreendimento seria majoritariamente alugado pela OpenAI, de Sam Altman, e pela Oracle, de Larry Ellison, como parte da iniciativa de infraestrutura de IA de US$ 500 bilhões do ex-presidente Donald Trump, chamada "Stargate".

Fred Lucas, advogado da prefeitura, declarou à Fortune: "Não havia boas soluções. Se você perguntasse a qualquer membro da câmara, eles diriam o mesmo: não queríamos um centro de dados aqui. Não o convidamos, não o incentivamos".

Democracia versus capital: quem decide o futuro das cidades?

A imposição do projeto em Saline Township expõe uma contradição no boom da infraestrutura de IA nos EUA: as decisões estão sendo tomadas por bilionários do setor tecnológico e seus aliados políticos, não pelas comunidades afetadas. Cidades de todo o país têm arcado com os custos ambientais e sociais de uma indústria em expansão acelerada, mostrando que, quando capital e democracia colidem, o capital costuma prevalecer.

Kathryn Haushalter, moradora próxima ao local do projeto, resumiu o sentimento da comunidade: "É como se estivéssemos jogando com regras diferentes. Eu jogo beisebol, eles jogam futebol".

O que esperar dos megacentros de dados nos EUA?

  • Impacto ambiental: Alto consumo de energia e água, além de emissões de carbono.
  • Pressão sobre infraestrutura local: Aumento no tráfego, demanda por serviços públicos e possíveis quedas no valor imobiliário.
  • Futuro das decisões municipais: Como equilibrar o desenvolvimento econômico com a vontade da população?

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Fonte: Futurism