Peacock em crise: prejuízos crescentes e a sombra da fusão da Warner e Paramount
A Peacock, plataforma de streaming da NBCUniversal, enfrenta um momento crítico. Desde seu lançamento em 2020, a plataforma atingiu 46 milhões de assinantes pagos, mas acumulou prejuízos superiores a US$ 10 bilhões. No último trimestre, as perdas chegaram a US$ 432 milhões, embora executivos da Comcast afirmem que a empresa deve se aproximar da lucratividade no segundo trimestre de 2024.
Apesar desse avanço, o cenário se complica com a fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount, avaliada em US$ 110 bilhões. O novo gigante do streaming, que unificará HBO Max e Paramount+, terá mais de 200 milhões de assinantes, aproximando-se de concorrentes como Netflix, Disney+/Hulu e Amazon Prime Video. Essa concentração de mercado deve intensificar a competição e tornar ainda mais difícil para a Peacock reter seus usuários.
Avaliação de especialistas: o que esperar da Peacock?
Segundo especialistas ouvidos pela TheWrap, a Peacock precisará adotar estratégias mais ousadas de conteúdo e reforçar sua diferenciação para sobreviver. Dados da Antenna revelam que a taxa de cancelamento da plataforma foi de 9% nos primeiros três meses de 2026 — a maior entre os principais streamers analisados. No entanto, uma fonte próxima à empresa contestou esses números, afirmando que a taxa de churn está alinhada à média do setor.
Uma pesquisa da Hub Entertainment Research, com 1.600 consumidores, revelou que 98% dos entrevistados conhecem a Peacock, mas apenas 64% conseguem explicar claramente o que a plataforma oferece e como se diferencia de outras. Essa falta de clareza pode prejudicar a fidelização de usuários em um mercado cada vez mais saturado.
«É um cenário difícil quando os consumidores já enfrentam fadiga com tantas assinaturas. A fusão não vai matar a Peacock, mas provavelmente limitará seu crescimento. Competir por conteúdos de alto valor ficará ainda mais complicado quando o principal rival herdar, da noite para o dia, um acervo repleto de propriedade intelectual da Warner Bros. Discovery.»
Estratégia da NBCUniversal: focar no tempo de tela, não em assinantes
Em resposta aos desafios, executivos da Comcast defendem uma abordagem diferente. Durante painel no SXSW 2024, Matt Strauss, presidente de serviços diretos ao consumidor da NBCUniversal, afirmou que o verdadeiro campo de batalha não é quem tem mais assinantes, mas quem conquista a maior participação no tempo de visualização. Segundo ele, a estratégia da empresa é «superatender» nichos de fãs para garantir essa vantagem.
Essa abordagem já mostrou resultados. Em fevereiro de 2024, a participação total da NBCUniversal no tempo de tela atingiu 13%, impulsionada pelos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina e pelo Super Bowl. Nesse mesmo mês, a Peacock alcançou 3% de participação — recorde para a plataforma —, graças a séries originais como The Burbs. Outros 3% vieram de redes a cabo que foram transferidas para a Versant em janeiro.
Apesar dos avanços, Meyerson considera que a estratégia da NBCUniversal é «mais defensável», mas reconhece que ela sinaliza implicitamente um teto para o crescimento da Peacock.
O que vem pela frente para a Peacock?
A Peacock não está condenada, mas enfrenta um caminho estreito. Para se destacar, precisará:
- Investir em conteúdos exclusivos e de nicho, capazes de atrair e reter públicos específicos;
- Clarificar sua proposta de valor para os consumidores, comunicando de forma objetiva o que a diferencia de concorrentes como Netflix e Max;
- Explorar sinergias com outras propriedades da NBCUniversal, como esportes e notícias, para aumentar o engajamento;
- Adaptar-se rapidamente às mudanças no mercado, especialmente após a fusão entre Warner e Paramount.
O futuro da Peacock dependerá de sua capacidade de inovar e se reinventar em um ecossistema cada vez mais dominado por gigantes do entretenimento.