O Colégio Eleitoral, sistema que há dois séculos define a escolha do presidente dos Estados Unidos com base em poucos estados decisivos, pode estar com os dias contados. Um plano elaborado ao longo de décadas, impulsionado por reformistas em estados de maioria democrata, está próximo de derrubar essa estrutura tradicional.
Se os democratas conquistarem o controle de estados-chave nas eleições de meio de mandato de 2026, o Pacto Interestadual de Voto Popular Nacional (NPVIC) poderá entrar em vigor já na eleição presidencial de 2028. A proposta substitui o Colégio Eleitoral pelo voto popular, sem a necessidade de uma emenda constitucional.
Como funciona o NPVIC?
O acordo prevê que estados participantes comprometam seus delegados eleitorais ao candidato que vencer o voto popular nacional — desde que estados suficientes, totalizando pelo menos 270 delegados, também façam parte do pacto. Atualmente, 222 delegados já estão comprometidos, faltando apenas 48 para atingir o objetivo.
Os estados decisivos são aqueles tradicionalmente disputados, como Wisconsin, Michigan, Arizona, Pensilvânia, Nevada e New Hampshire. Se os democratas conquistarem o controle governamental nesses locais nas eleições de 2026, o NPVIC poderá ser ativado.
Desafios e incertezas
Apesar do avanço, há dúvidas sobre a viabilidade da proposta. Especialistas questionam se a implementação sem apoio republicano não poderia levar ao fracasso do sistema. Além disso, a polarização política atual pode tornar a reforma ainda mais complexa.
O NPVIC já foi adotado por quase todos os estados de tendência democrata, incluindo a Virgínia, que aderiu recentemente. Se o pacto for ativado, o voto popular determinará a eleição presidencial, independentemente dos resultados em estados individuais.
"O Colégio Eleitoral tornou-se um tema tão polarizado que os interesses de estados específicos podem não pesar tanto quanto antes, diante da crença da coalizão democrata de que o voto popular seria mais justo."