A Suprema Corte dos Estados Unidos deu sinal verde para a guerra de redistritamento que deve reduzir ainda mais o número de distritos competitivos nas eleições de meio de mandato de 2026. A decisão, anunciada na quarta-feira (12), permite que mapas eleitorais sejam desenhados com viés partidário, mesmo que isso limite a representação de minorias.

Segundo especialistas, o resultado será uma eleição ainda menos competitiva, com disputas concentradas nas primárias — onde os candidatos mais alinhados aos extremos de cada partido têm vantagem.

Por que isso importa: Com menos distritos em disputa, as eleições gerais perdem relevância como termômetro da opinião pública. “As eleições não refletem mais como o público em geral se sente sobre política”, afirmou Robert Boatright, professor de ciência política da Universidade Clark e especialista em primárias presidenciais.

O que dizem os especialistas:

  • Nick Troiano, diretor-executivo da Unite America: “As eleições de meio de mandato serão as menos competitivas de nossas vidas.” Ele alerta que o gerrymandering praticado por ambos os partidos está destruindo a representatividade: “Quando ambos lutam com as mesmas armas, o resultado é que todos perdem.”
  • Dave Wasserman, editor sênior do Cook Political Report: Mesmo que a redistribuição de cadeiras não favoreça nenhum partido, o número de disputas acirradas em novembro deve cair. “Hoje, conquistar 20 cadeiras já é considerado uma onda partidária. Antes, isso equivalia a 40 ou 50.”

Dados reveladores:

  • Atualmente, apenas 16 dos 435 assentos da Câmara são classificados como “Disputa Aberta” pelo Cook Political Report.
  • Em 2024, eram 22; em 2022, 36.
  • A Unite America estima que, meses antes das eleições, mais de 400 cadeiras já estão “decididas”.

Consequências para os eleitores:

Com menos competição nas eleições gerais, as primárias ganham força — e os candidatos precisam agradar aos eleitores mais radicais de seus partidos, não ao eleitorado em geral. Isso pode afastar candidatos pragmáticos e abrir espaço para grupos de interesse financiando candidatos em distritos “seguros”.

Impacto na participação eleitoral:

Kareem Crayton, vice-presidente do Brennan Center, alerta que a falta de competição reduz a participação dos eleitores. “Eleições competitivas geralmente têm maior comparecimento às urnas”, explica. Ele defende reformas nos sistemas de primárias, como os modelos de “primária de todos os candidatos” adotados em Washington, Califórnia e Alasca.

Reforma em debate:

Grupos como a Unite America pedem mudanças, mas 17 estados ainda mantêm primárias fechadas ou parcialmente fechadas, segundo a Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais (NCSL).

Fonte: Axios