A Suprema Corte dos Estados Unidos registrou uma melhora modesta em sua popularidade junto à população americana, segundo pesquisa recente. O levantamento, realizado pela YouGov no início de maio, aponta que 38% dos entrevistados aprovam o desempenho da Corte, enquanto 45% desaprovam, resultando em uma margem negativa de -7 pontos.

Embora esse índice não seja considerado expressivo, ele representa uma melhora significativa em comparação com os resultados de 2025. Na época, pesquisas como a do Economist/YouGov registravam uma rejeição líquida de -16 pontos (51% de desaprovação contra 35% de aprovação), enquanto a Gallup e a Quinnipiac apontavam margens negativas de -10 e -13 pontos, respectivamente.

Um dos fatores que pode ter contribuído para essa melhora é a decisão recente da Corte em um caso envolvendo tarifas, que obteve amplo apoio popular. Segundo a YouGov, 58% dos americanos aprovaram o resultado da decisão, enquanto apenas 25% desaprovaram. Pesquisa semelhante, realizada logo após o julgamento, indicava aprovação de 60% e desaprovação de 23%.

No entanto, especialistas alertam que a opinião pública nem sempre reflete a qualidade das decisões judiciais. Estudos mostram que grande parte dos americanos conhece pouco sobre a Constituição e o funcionamento da Suprema Corte, sendo que a maioria não consegue sequer citar o nome de um ministro.

A relação entre a popularidade da Corte e suas decisões é complexa. Embora os juízes não devam ser guiados pela opinião pública — uma das razões para o mandato vitalício —, o apoio popular pode influenciar indiretamente o poder da instituição. Uma Corte altamente impopular torna-se mais vulnerável a medidas como o court-packing (aumento do número de juízes), enquanto uma decisão judicial com amplo respaldo popular facilita a anulação de políticas governamentais.

Nesse sentido, a decisão sobre as tarifas, embora não tenha sido tomada com base na opinião pública, pode ter sido facilitada pela impopularidade das medidas impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Isso reforça a importância da aprovação pública para a autoridade da Suprema Corte, mesmo que a percepção da população não reflita necessariamente a excelência de suas decisões.

Fonte: Reason