A promessa de segurança dos carros autônomos tem sido um dos principais argumentos das empresas do setor para conquistar a confiança do público. Afinal, enquanto motoristas humanos são imprevisíveis e suscetíveis a distrações, os veículos autônomos, com sua precisão mecânica, seriam mais consistentes e cautelosos. Mas será que isso se traduz em maior segurança no trânsito?
Um problema crescente, no entanto, vem chamando a atenção: os carros autônomos não são mais seguros do que os humanos quando os algoritmos que os controlam não priorizam a segurança de todos os usuários da via — especialmente ciclistas. Em São Francisco, a Waymo, uma das líderes do setor, tem sido alvo de críticas por sua política de uso de ciclovias.
Relatos e imagens compartilhados nas redes sociais mostram que veículos da Waymo frequentemente invadem ciclovias para realizar embarques e desembarques de passageiros. Há registros de situações em que os carros autônomos estacionam completamente dentro das faixas exclusivas para bikes, obstruindo a passagem de ciclistas.
Incidentes documentados
Dois casos recentes ilustram o problema:
- São Francisco: Um usuário do Reddit publicou fotos de um carro da Waymo parado no meio de uma ciclovia na cidade, obstruindo a passagem de ciclistas.
- Austin: Um ciclista compartilhou imagens de um veículo da Waymo realizando um embarque em uma ciclovia de acostamento, com parte do carro também ocupando a pista de rolamento.
Processo judicial e alegações
Em junho do ano passado, o grupo Bay Area Bicycle Law entrou com uma ação judicial contra a Waymo e sua controladora, a Alphabet (dona do Google), após dois veículos autônomos da empresa invadirem uma ciclovia ao mesmo tempo. Segundo a denúncia, a ciclista Jenifer Hanke foi atingida por uma porta de carro aberta enquanto pedalava em uma faixa exclusiva para bikes. Ela foi arremessada contra outro veículo da Waymo, que estava estacionado do outro lado da ciclovia.
«As pessoas sempre destacam que, ao contrário dos carros com motoristas humanos, os veículos autônomos param nos semáforos e respeitam os limites de velocidade. Mas eles só são tão bons, eficazes e seguros quanto foram programados para ser», afirmou Christopher White, diretor-executivo da San Francisco Bike Coalition, ao Streetsblog.
«A Waymo estaciona constantemente em ciclovias para embarques e desembarques, o que não é legal nem seguro. Mesmo assim, a empresa alega que isso é prática comum e que os clientes esperam por isso.»
White também revelou uma alegação controversa: segundo ele, a Waymo teria dito a defensores de ruas seguras que priorizar a conscientização sobre ciclovias seria «um padrão muito alto», já que os clientes preferem ser deixados nessas faixas.
A empresa não respondeu a pedidos de comentário sobre as alegações ou o problema das ciclovias. Dado que a Waymo costuma se pronunciar quando pode reforçar sua imagem de segurança, o silêncio nesse caso é eloquente.
Este não é o primeiro incidente envolvendo a Waymo e a segurança no trânsito. Recentemente, a empresa foi criticada após um de seus carros autônomos ter bloqueado uma ambulância em atendimento a uma ocorrência de tiroteio em massa.