Campanha milionária contra stablecoins

A American Bankers Association (ABA) intensificou sua campanha publicitária em Washington contra o CLARITY Act, projeto que regulamenta stablecoins nos EUA. Anúncios recentes destacam: “Proteja os empréstimos locais enquanto abraça a inovação. Peça aos senadores para fechar o loophole das stablecoins.”

Alvo principal: o 'loophole' das stablecoins

O foco da campanha é um suposto “buraco legal” no projeto que permite que plataformas afiliadas ou terceiros paguem recompensas em tokens. Segundo os bancos, isso possibilitaria que exchanges de criptomoedas concorram diretamente com os depósitos bancários tradicionais.

Em janeiro, mais de 3,2 mil banqueiros assinaram carta pedindo ao Senado que feche o que chamam de “loophole de pagamento de juros”. A ABA e grupos comerciais aliados também enviaram carta conjunta ao Congresso, propondo banir incentivos pagos por emissores de stablecoins ou parceiros.

Ameaça de migração de depósitos

A ABA alerta que US$ 6,6 trilhões em depósitos bancários podem migrar se o projeto não for ajustado. A entidade representa bancos comunitários, que argumentam que a competição desleal prejudicaria o crédito local.

Cronograma apertado no Senado

O projeto foi aprovado na Câmara em julho de 2025 por 294 votos a 134, dando mandato claro ao Senado para agir. No entanto, a tramitação está paralisada:

  • O presidente do Comitê Bancário do Senado, Tim Scott, marcou uma votação para 15 de janeiro de 2026, mas o item foi adiado;
  • A página oficial do comitê ainda lista a sessão como “adiada sem data”;
  • O cronograma público atual prevê apenas audiência sobre nomeação de Kevin Warsh em 21 de abril;
  • Fontes indicam que a votação pode ocorrer na última semana de abril ou segunda semana de maio, mas o tempo é limitado antes do início da campanha eleitoral de verão;
  • Há ainda disputas não resolvidas sobre ética e combate a financiamento ilícito.

Disputa técnica por trás da campanha

O GENIUS Act já proíbe emissores de stablecoins de pagar juros diretamente. O problema, segundo os bancos, é que o projeto atual não impede que parceiros afiliados ou terceiros paguem recompensas em tokens.

“Uma exchange de criptomoedas que oferece stablecoins com rendimento poderia, com essa arquitetura, competir diretamente por depósitos bancários.”

Impacto econômico contestado

O Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca (CEA) estimou que proibir rendimentos em stablecoins aumentaria os empréstimos bancários em apenas US$ 2,1 bilhões (0,02% do total atual), com custo líquido de US$ 800 milhões. Os grandes bancos ficariam com 76% desse aumento, enquanto os bancos comunitários receberiam 24%.

A ABA rebateu os dados cinco dias depois, afirmando que o estudo não considerou o cenário futuro onde stablecoins com rendimento poderiam atrair grande parte dos depósitos.

Pressão crescente antes da decisão

Com o tempo se esgotando, a campanha da ABA busca pressionar os senadores a agirem antes do recesso legislativo. A estratégia inclui:

  • Anúncios em veículos como Politico Morning Money;
  • Campanhas digitais direcionadas a Congresso, Casa Branca e agências reguladoras;
  • Cartas coordenadas de associações de bancos e câmaras de comércio locais.

A batalha pelo CLARITY Act representa mais um capítulo na guerra entre o setor bancário tradicional e o ecossistema de criptomoedas nos EUA.