O ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve entrar na Justiça para tentar impedir a liberação de gravações de suas conversas com um escritor fantasma. Os áudios e transcrições editadas foram obtidos pelo Departamento de Justiça (DOJ) durante a investigação sobre o manuseio de documentos sigilosos após seu mandato como vice-presidente.

Segundo documentos judiciais apresentados na sexta-feira (12), o DOJ informou que pretendia divulgar os materiais ao Congresso e à Heritage Foundation — organização que moveu ação judicial sob a Lei de Liberdade de Informação (FOIA) para obter os registros. No entanto, Biden "pretende buscar intervir judicialmente para evitar tais divulgações", afirmou o relatório.

O que diz a investigação de Hur

O procurador especial Robert Hur, responsável pela apuração, não chegou a indiciar Biden, mas descreveu o ex-presidente como um "idoso simpático e bem-intencionado, com memória limitada". Em seu relatório, Hur destacou que Biden leu trechos de seus cadernos contendo informações sigilosas "quase literalmente" ao menos três vezes durante as gravações com o escritor Mark Zwonitzer.

Em uma das passagens, Biden teria dito a Zwonitzer: "Acabei de encontrar todas as coisas sigilosas lá embaixo". Hur também afirmou que a memória de Biden estava "significativamente limitada" tanto nas entrevistas gravadas em 2017 quanto em seu depoimento ao escritório do procurador em 2023.

Biden negou, em comunicado, ter compartilhado informações classificadas.

Disputa judicial e próximos passos

A Heritage Foundation, que obteve acesso parcial aos documentos via processo judicial, acusou a equipe jurídica de Biden de obstruir a divulgação. Segundo a organização, o ex-presidente se opôs até mesmo à liberação de trechos da transcrição que haviam sido citados integralmente no relatório de Hur.

Em resposta, o porta-voz de Biden, TJ Ducklo, afirmou ao Politico que o ex-presidente "cooperou plenamente" com a investigação e forneceu as gravações "com a condição de que não fossem tornadas públicas".

O DOJ informou que, se Biden entrar com o pedido judicial até terça-feira (16), concordará em adiar a divulgação dos materiais até junho. Caso contrário, os arquivos poderão ser liberados antes do previsto.

Fonte: Axios