Desde reassumir a presidência em 2024, o presidente Donald Trump anunciou uma série de políticas executivas voltadas para minerais críticos, como tarifas, estoques estratégicos e financiamentos via Lei de Produção de Defesa. Embora apresentadas como inovações, muitas dessas medidas têm origem em recomendações e programas bipartidários de administrações anteriores.
Enquanto isso, democratas no Congresso permanecem na defensiva. Durante uma audiência recente da Comissão de Recursos Naturais da Câmara, a deputada Yassamin Ansari (D-WA) criticou o SECURE Minerals Act, projeto bipartidário que propõe um estoque estratégico de minerais, alegando que seria "um modelo propenso a fraudes e corrupção". No entanto, o texto do projeto inclui salvaguardas rigorosas, como confirmação senatorial dos membros da diretoria, auditorias independentes anuais, rastreamento público, relatórios anuais ao Congresso e proibições de conflitos de interesse.
Em outra audiência, a deputada Maxine Waters (D-CA) questionou o contato de Trump com países africanos produtores de minerais, perguntando apenas: "O que ele está fazendo?". O presidente do banco EXIM, entretanto, lembrou que a instituição tem mandato para atuar na África Subsaariana. Em ambos os casos, a desconfiança em relação à administração e aos republicanos parece ter cegado os democratas para um objetivo estratégico maior: construir uma cadeia de suprimentos de minerais críticos segura e competitiva.
Por que a demora é um risco
Democratas que buscam fortalecer a competitividade econômica dos EUA e fomentar setores de tecnologia limpa não podem se dar ao luxo de priorizar posturas partidárias em detrimento de políticas concretas. O tempo é um fator crítico: as vulnerabilidades dos EUA nesse setor são grandes demais para esperar até o fim do mandato de Trump.
Para avançarem, os democratas precisarão revisar posições que contrariam a ortodoxia recente do partido. Primeiro, devem aceitar que tanto os EUA quanto o mundo precisarão de novas minas, com incentivos e reformas regulatórias para projetos de minerais críticos — não apenas reciclagem, re-mineração ou substituição. Segundo, precisam reconhecer que projetos de mineração nos EUA e em países parceiros democraticamente governados oferecem uma base mais sólida para altos padrões ambientais e sociais do que as rotas dominantes atuais de produção de matérias-primas.
O equívoco de priorizar apenas a recuperação de subprodutos
Uma pergunta feita pelo deputado Christian Menefee (D-TX) em audiência recente expôs os riscos de uma política mineral excessivamente restritiva: "A recuperação de subprodutos deve ser a prioridade antes de abrir uma única nova mina?". Embora organizações de defesa e pesquisadores acadêmicos argumentem que minas existentes já extraem minerais suficientes para as necessidades dos EUA, mas não os recuperam, tais análises consideram apenas o potencial teórico de extrair todos os elementos presentes no minério, não a viabilidade técnica.
A recuperação viável será exceção, não regra. Por exemplo, a produção de lítio como subproduto de uma mina de cobre-ouro pode enfrentar concentrações inferiores a 20 partes por milhão, enquanto minas de lítio em desenvolvimento nos EUA apresentam concentrações entre 850 e 2.000 partes por milhão. Em comparação, a mina de cobalto Jervois Idaho Cobalt tem concentrações de 2.400 partes por milhão, enquanto a grande mina de zinco Red Dog, no Alasca, possui entre 39 e 149 partes por milhão.