Maconha reclassificada nos EUA: o que muda com a nova regra federal
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (23) a reclassificação da maconha, que passa da Lista I — categoria mais restritiva — para a Lista III do controle federal de substâncias. A decisão, assinada pelo procurador-geral interino Todd Blanche, foi comemorada pela administração do presidente Donald Trump como um avanço na política de saúde americana.
A mudança, anunciada nas redes sociais pelo próprio Blanche, não legaliza a maconha em nível federal, mas facilita o acesso a pesquisas financiadas pelo governo e permite que empresas estaduais do setor aproveitem benefícios fiscais federais.
Em dezembro de 2025, o presidente Trump havia determinado que as agências federais agissem com "a maior celeridade possível" para reclassificar a maconha. No entanto, a medida só foi concretizada agora, após pressão do governo e de relatórios indicando que a Casa Branca vinha cobrando ações das agências.
Impactos da reclassificação
A decisão tem efeitos práticos limitados, mas representa um reconhecimento de que o governo federal vinha superestimando os riscos da maconha e ignorando seus potenciais benefícios terapêuticos há décadas. Especialistas destacam que, embora a mudança não resolva o conflito entre a proibição federal e as leis estaduais que permitem o uso medicinal ou recreativo, é um passo importante.
"A reclassificação reconhece que o governo federal exagerou nos riscos da maconha e ignorou seus benefícios por meio século. É um progresso, ainda que insuficiente para resolver a contradição entre a proibição federal e as leis estaduais."— Jacob Sullum, colunista especializado em política de drogas.
Bailout de US$ 500 milhões para a Spirit Airlines
Enquanto a maconha ganha nova classificação, outra polêmica envolve a Spirit Airlines. Segundo o Politico, o governo Trump estaria em negociações avançadas para um resgate financeiro de US$ 500 milhões para a companhia aérea de baixo custo, com possibilidade de o governo federal deter até 90% de suas ações.
A justificativa apresentada pelo governo é que a Spirit estaria em situação financeira mais sólida se a administração anterior não tivesse bloqueado sua fusão com a JetBlue. No entanto, críticos argumentam que o resgate não resolve os problemas estruturais da empresa e pode transformá-la em uma "companhia aérea de tarifas altas".
- Críticos do resgate: Gary Leff, do View From the Wing, afirma que a medida é ilegal e transferirá os problemas financeiros da Spirit para os contribuintes.
- Impacto no mercado: Marc Scribner, do Reason Foundation, alerta que transformar companhias de baixo custo em subsidiárias estatais prejudicará a competição no setor aéreo.
Conclusão: avanços e controvérsias
A reclassificação da maconha é vista como um passo positivo por defensores da reforma da política de drogas, mas ainda deixa questões em aberto. Enquanto isso, o possível resgate da Spirit Airlines levanta debates sobre o uso de recursos públicos para salvar empresas privadas e seus impactos no mercado.