A estufa Palm House, nos Jardins Kew em Londres, abriga um tesouro vivo: um cícade gigante do Cabo Oriental, na África do Sul, com mais de 240 anos. Transportado em um navio há séculos, o exemplar é considerado pela instituição como "a planta envasada mais antiga do mundo".
Em seu novo romance, The Palm House, a escritora britânica Gwendoline Riley faz uma alusão sutil a essa relíquia vegetal. A protagonista, Laura Miller, uma escritora na casa dos 40 anos, planeja visitar a estufa com um amigo, Edmund Putnam, e seu pai. A planta, um fóssil vivo, torna-se metáfora para a passagem do tempo — um tema recorrente na obra de Riley.
Riley constrói narrativas repletas de metáforas afiadas e humor sutil. Em suas descrições, o céu pode ser "amarelo escuro, como iodo", ou a prosa de um escritor decadente, "como um ladrão de desenho animado andando na ponta dos pés". Seus diálogos, muitas vezes fragmentados, revelam personagens que se entregam por meio de suas próprias palavras, sem necessidade de explicações excessivas.
Embora seus romances não sejam sutis em sua essência — afinal, todos orbitam em torno das mesmas angústias existenciais — cada obra traz uma nova perspectiva. Seus primeiros livros, publicados quando ela ainda era uma jovem de vinte e poucos anos, se passavam em Manchester, com protagonistas mulheres em relacionamentos tóxicos. Depois, ela expandiu suas histórias para os Estados Unidos, mantendo elementos semelhantes.
Em First Love (2017) e My Phantoms (2021), Riley aprofunda o foco nas relações familiares, especialmente entre mães e filhos. First Love narra o casamento de Neve, uma mulher que sofre com um marido mais velho e abusivo, enquanto My Phantoms explora a relação entre Bridget e sua mãe, Hen. Ambos os livros foram aclamados pela crítica nos EUA, publicados pela New York Review Books em 2022.
Em entrevista de 2017, Riley afirmou:
"Em todos os meus livros até agora, há uma mulher olhando para a própria vida".Essa reflexão define bem sua obra: uma literatura que investiga as camadas da existência humana, com personagens que carregam o peso do tempo e das relações familiares.