A Netflix foi processada pelo procurador-geral do Texas, Ken Paxton, sob a acusação de ter enganado consumidores por anos sobre como coleta dados, rastreia hábitos de visualização e gerencia contas de crianças, enquanto constrói um programa de vigilância comportamental de escala impressionante.

A ação judicial, protocolada na quarta-feira (17) no Tribunal Distrital do Condado de Collin, alega que a empresa se apresentou como uma alternativa focada em privacidade em comparação a gigantes de tecnologia movidos por publicidade, enquanto, na prática, coletava dados comportamentais detalhados de forma secreta. O estado busca indenizações civis não especificadas, restituição aos consumidores e medidas judiciais temporárias e permanentes contra a Netflix.

O processo argumenta que a Netflix repetidamente garantiu aos consumidores que não operaria como empresas como Google e Meta, citando declarações anteriores do CEO Reed Hastings de que a plataforma não tinha intenção de monetizar com anúncios nem vendia dados de usuários.

"Os texanos confiaram nesse acordo. A Netflix quebrou essa promessa — construindo, justamente, o sistema de coleta de dados do qual os assinantes pagaram para escapar."

A petição alega que a Netflix desenvolveu pipelines sofisticados capazes de registrar bilhões de "eventos" diários de usuários, incluindo o que assistem, buscam, pausam, retrocedem ou abandonam, além de informações sobre dispositivos e localização. O estado acusa a empresa de usar esses dados para treinar algoritmos e, posteriormente, impulsionar um negócio publicitário em rápida expansão.

A ação também aponta que a Netflix enganou pais sobre perfis infantis. Segundo o processo, a empresa promoveu perfis para crianças como espaços seguros e isolados, enquanto ainda coletava informações comportamentais detalhadas de menores.

De acordo com a petição, recursos como reprodução automática e sistemas de recomendação foram projetados para incentivar o consumo excessivo de conteúdo e maximizar o engajamento, especialmente entre crianças. A reprodução automática é descrita no documento como um padrão obscuro criado para manter os usuários assistindo por mais tempo e gerar mais dados.

O processo ainda alega que, após anos criticando publicamente a publicidade direcionada, a Netflix passou a se associar a grandes empresas de publicidade e dados, como Google Display Video 360, The Trade Desk, Experian e Acxiom, para viabilizar recursos de correspondência de identidade e publicidade segmentada.

A Netflix não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito na quarta-feira.

Fonte: The Wrap