A jornalista Vicky Ward, na época colaboradora da revista Vanity Fair, foi designada em 2002 para investigar o misterioso financista nova-iorquino Jeffrey Epstein. Durante as apurações, Ward descobriu denúncias de abuso sexual feitas pelas irmãs Maria e Annie Farmer contra Epstein. No entanto, a reportagem que resultou no perfil "The Talented Mr. Epstein", publicado em 2003, teve trechos removidos — decisão que gerou uma década de tensões entre Ward e o então editor da revista, Graydon Carter.

Carter alegou que o material não atendia aos padrões editoriais da revista e que as alegações chegaram tarde demais no processo de edição. Ward, entretanto, afirmou que a remoção ocorreu após Epstein pressionar pessoalmente Carter para excluir as acusações. Em entrevista recente ao podcast More To The Story, Ward declarou:

"Já me perguntaram se Tina Brown ou qualquer outra mulher fosse editora da Vanity Fair na época, acredito que as alegações das irmãs Farmer teriam sido publicadas. A resposta é: com certeza, sim."

As irmãs Farmer só tornaram públicas suas acusações anos depois, quando Epstein já havia sido indiciado por tráfico sexual. Ward revisita, nesta semana, as decisões editoriais que cercaram o perfil de 2003, o papel de Ghislaine Maxwell nos crimes de Epstein e sua visão sobre as circunstâncias de sua morte, enquanto condenado por abuso sexual.

Após a entrevista com Ward, a redação entrou em contato com Maria e Annie Farmer para obter um comentário. Parte de sua resposta foi incluída no episódio, e o depoimento completo pode ser lido a seguir:

  • "Confiamos em Vicky Ward para relatar nossas experiências de primeira mão sobre os crimes de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Ela optou por omitir nossos relatos e, em vez disso, publicou em 2003 um artigo na Vanity Fair que higienizou, protegeu e até mesmo enalteceu a imagem de Epstein. Anos depois, em 2011, ela publicou outro perfil elogioso sobre ele. Artigos como o dela permitiram que Epstein e Maxwell continuassem aliciando e abusando de jovens mulheres e meninas por décadas."

Em resposta, Ward publicou a seguinte nota:

"É triste ler isso, e entendo a frustração e a decepção de Maria e Annie. Já me desculpei com elas no meu podcast Chasing Ghislaine e mantenho minhas palavras. Lamento não ter conseguido incluir suas alegações na reportagem de 2003 para a Vanity Fair. Fiquei tão decepcionada quanto elas com a decisão de cortar o material, razão pela qual as contatei novamente em 2015, com permissão, para contar o que havia acontecido dentro da revista. Não teria reaberto esse assunto publicamente se elas não quisessem ou se não acreditasse que poderia reverter uma injustiça que jamais deveria ter ocorrido — e garantir que não se repetisse. Também compreendo que as disputas internas da Vanity Fair são insignificantes diante do sofrimento delas, e desejo que tenham apenas o melhor."

Para denunciar casos de abuso sexual, a RAINN (Rede Nacional de Estupro, Abuso e Incesto) oferece o Disque Denúncia: 800-656-HOPE (4673).