A perspectiva de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, embora ainda incerta, não deve trazer alívio imediato aos consumidores nos postos de gasolina. Segundo analistas, os preços da gasolina devem permanecer acima dos níveis pré-guerra por um longo período, possivelmente até as eleições de meio de mandato nos EUA.
O mercado global de petróleo continua instável, e o preço médio da gasolina nos EUA atingiu US$ 4,54 por galão na última quarta-feira, enquanto antes do conflito, o valor era inferior a US$ 3, conforme dados da AAA.
Recuperação lenta e gradual
Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, estima que, mesmo com a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio —, os preços da gasolina devem cair apenas um terço do aumento registrado durante a guerra em até três meses.
"O próximo terço pode levar de três a seis meses, e só então chegaremos aos preços pré-guerra, provavelmente no início ou meados de 2027", afirmou De Haan em comunicado por e-mail.
Fatores que atrasam a normalização
A lentidão na recuperação está ligada a dois principais fatores: a demora para restabelecer o fluxo de petróleo no Oriente Médio e a dinâmica de precificação no varejo nos EUA.
Segundo Rob Smith, analista sênior de combustíveis da S&P Global Energy, mesmo com o fim do conflito, levaria vários meses para que o tráfego pelo Estreito de Ormuz retornasse aos níveis pré-guerra. A consultoria Rystad Energy também considera otimista um cenário de reabertura em 30 dias, projetando uma recuperação significativa apenas a partir de junho.
O efeito 'foguete e pena'
No curto prazo, mesmo com a queda nos preços do petróleo, os postos ainda trabalham com estoques adquiridos a valores mais altos. Isso explica o fenômeno conhecido como "foguete e pena": os preços da gasolina sobem rapidamente quando o petróleo sobe, mas caem de forma gradual quando o crude se desvaloriza.
Risco futuro: a nova normalidade no Estreito de Ormuz
Um grande ponto de interrogação é como ficará a segurança na região após o conflito. Gregory Brew, analista do Eurasia Group, destaca que o Irã, mesmo com capacidade militar reduzida, ainda pode ameaçar fechar o Estreito de Ormuz no futuro.
"O Irã demonstrou que pode fazê-lo uma vez e, agora, pode ameaçar repetir a ação. Sua capacidade militar foi degradada, mas não destruída. Bastaria pouco esforço para dissuadir navios de retomar o tráfego", escreveu Brew em um artigo para a Foreign Affairs.
Como solução, ele sugere que agências de financiamento dos EUA apoiem projetos para expandir redes de oleodutos que contornem o Estreito.
A conclusão dos especialistas é clara: os preços da gasolina nos EUA devem cair gradualmente, mas a normalização total só deve ocorrer em 2027, dependendo de fatores como estabilidade geopolítica e recuperação da produção global de petróleo.