O primo do primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, Hun To, admitiu recentemente possuir — ou ter possuído — 30% da Huione Pay, uma empresa de pagamentos vinculada ao grupo Huione Group, acusada de envolvimento em uma rede de lavagem de US$ 4 bilhões em criptomoedas.
A revelação foi feita por meio de um comunicado emitido por seu advogado, que afirmou que Hun To já deteve participação na Huione Pay, braço financeiro do conglomerado sancionado em 2023 pelos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. A empresa teve sua licença bancária cassada no ano passado por não cumprir regulamentações.
Em sua defesa, Hun To declarou que nunca exerceu funções gerenciais na empresa e que não contribuiu com o capital correspondente à sua participação acionária. Além disso, afirmou nunca ter recebido lucros, dividendos ou ativos da Huione Pay. Em suas palavras:
"Nunca recebi convite para reuniões, assembleias de acionistas ou fui nomeado para representar meus interesses na empresa. Também não autorizei nenhum procurador ou representante a agir em meu nome como acionista."
Hun To é uma figura proeminente na política cambojana. Além de primo do atual primeiro-ministro, ele é sobrinho de Hun Sen, ex-primeiro-ministro do país e atual presidente do Partido Popular do Camboja. Em 2024, a agência Reuters reportou que Hun To fazia parte do quadro de três diretores da Huione Pay, embora não houvesse evidências de que estivesse ciente de transações suspeitas, como pagamentos superiores a US$ 150 mil recebidos de grupos hackers, como o Lazarus, vinculado à Coreia do Norte.
A empresa negou que Hun To tivesse qualquer envolvimento em operações diárias ou supervisão financeira.
Lavagem de dinheiro e processos judiciais
Hun To também foi associado a alegações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, incluindo um caso envolvendo o envio de heroína para a Austrália. Ele negou todas as acusações e moveu ação judicial por difamação contra o jornal The Australian após uma reportagem de 2022 que o vinculava a tráfico de pessoas, ciberbullying e narcotráfico. O veículo retirou a matéria e publicou um pedido de desculpas, afirmando que "não teve a intenção de fazer tais alegações e aceita suas negativas".
Crackdown contra centros de fraudes no Camboja
Desde 2023, o governo cambojano intensificou operações contra centros de fraudes online, resultando na deportação de mais de 48 mil estrangeiros, muitos deles vítimas de tráfico humano. No início de maio de 2026, autoridades prenderam dezenas de suspeitos em Poipet, cidade fronteiriça com a Tailândia, após fugas durante operações de repressão.
Segundo dados oficiais, cerca de 240 mil pessoas supostamente envolvidas em esquemas de fraude deixaram o país "voluntariamente". No mês passado, 600 tailandeses ligados a esses centros foram deportados.