Tensão entre Musk e OpenAI marca terceiro dia de julgamento bilionário

Elon Musk protagonizou um novo confronto durante seu terceiro dia de depoimento no julgamento de alto impacto que questiona a transformação da OpenAI de uma organização sem fins lucrativos para uma empresa avaliada em centenas de bilhões de dólares. O processo, que opõe Musk a Sam Altman — cofundador da OpenAI —, tem como foco o descumprimento de promessas de manter a empresa dedicada exclusivamente ao benefício da humanidade.

Acusações de perguntas enganosas e respostas polêmicas

A audiência, realizada na quarta-feira (22), foi marcada por trocas ríspidas entre Musk e o advogado da OpenAI, William Savitt. O bilionário acusou o advogado de formular perguntas com o objetivo de induzir respostas enganosas e manipular o júri. Em um momento específico, Savitt questionou Musk sobre seu depoimento anterior, no qual ele afirmou que a OpenAI não violaria acordos de manutenção do status sem fins lucrativos desde que os lucros dos investidores fossem limitados.

«Depende de quão alto for o limite», respondeu Musk. Savitt retrucou: «Essa não foi sua resposta completa ontem, certo?» Musk rebateu: «Poucas respostas são completas, especialmente quando você me interrompe o tempo todo». Ele acrescentou que, se o limite for «muito alto», a OpenAI se tornaria, na prática, uma empresa com fins lucrativos.

Juíza proíbe discussões sobre riscos da IA no julgamento

A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, do Tribunal Federal de Oakland, na Califórnia, interveio para evitar que o julgamento se desviasse para debates sobre os perigos da inteligência artificial. Durante a audiência, ela afirmou que o processo não trata de segurança ou impactos da IA na humanidade, embora reconhecesse que tais questões poderiam ser objeto de futuros processos judiciais.

«Este não é um julgamento sobre os riscos da IA. Não é sobre se a IA já causou danos à humanidade. Isso pode ser tema de um processo federal em outro momento. Não vamos nos desviar desse assunto aqui», declarou a juíza.

A magistrada também chamou atenção para o lançamento da xAI, empresa de Musk lançada em 2023, que atua no mesmo segmento da OpenAI. «As pessoas não querem colocar o futuro da humanidade nas mãos do sr. Musk», afirmou, instruindo as partes a não abordarem o tema durante o julgamento.

OpenAI nega acusações e acusa Musk de motivações competitivas

Os advogados da OpenAI rejeitaram as alegações apresentadas na ação civil movida por Musk, argumentando que nunca houve promessas de que a empresa permaneceria sem fins lucrativos permanentemente. A defesa sustenta que o processo movido por Musk tem como objetivo minar o crescimento acelerado da OpenAI e impulsionar sua própria empresa, a xAI, concorrente direta no mercado de IA.

Durante o depoimento, Savitt questionou Musk sobre suas outras empresas — Tesla, SpaceX, Neuralink e X (antigo Twitter) — todas com fins lucrativos. Musk confirmou e afirmou que todas são «socialmente benéficas». O advogado ainda indagou por que Musk não criou uma organização sem fins lucrativos, ao que o bilionário não respondeu de imediato.

Julgamento segue até o final de maio

O processo, que começou na semana passada, deve prosseguir até o final de maio. Embora Musk tenha sido dispensado do banco de testemunhas nesta quarta-feira, a juíza não descartou a possibilidade de seu retorno para novos depoimentos.

A disputa judicial entre Musk e a OpenAI ganhou repercussão global devido ao valor bilionário em jogo e ao impacto da IA na sociedade moderna. O desfecho do caso poderá redefinir modelos de governança e financiamento de empresas de tecnologia no setor.