A Teamsters, um dos maiores sindicatos dos EUA, surpreendeu ao não endossar nenhum candidato presidencial em setembro de 2024 — a primeira vez desde 1992. A decisão ocorreu após o sindicato ter dado destaque a Sean O’Brien, seu presidente, na Convenção Nacional Republicana do mês anterior.

O não-endosso foi considerado irracional, já que Donald Trump, durante seu primeiro mandato e na campanha pela reeleição, manteve postura contrária aos direitos trabalhistas. Mesmo assim, Trump nomeou como secretária do Trabalho a ex-deputada republicana Lori Chavez-DeRemer, do Oregon, indicada por O’Brien.

Chavez-DeRemer, no entanto, não durou muito no cargo. Na segunda-feira (14), ela anunciou sua renúncia, juntando-se a outros ex-membros do gabinete de Trump — como a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e a procuradora-geral Pam Bondi — que foram afastados por corrupção ou por não atenderem aos padrões de Trump.

Trajetória marcada por polêmicas e recuos

Inicialmente, sua nomeação gerou alguma expectativa entre sindicatos. Liz Shuler, presidente da AFL-CIO, destacou que Chavez-DeRemer havia sido uma das poucas republicanas na Câmara a co-patrocinar o PRO Act, projeto que amplia direitos trabalhistas para setores privado e público. No entanto, sua postura mudou rapidamente.

Durante a audiência de confirmação, ela evitou compromissos claros. Declarou que o PRO Act era “imperfeito” e rejeitou trecho crucial que derrubaria leis estaduais de right-to-work (que limitam o poder de sindicatos). Também se recusou a se posicionar sobre a elevação do salário mínimo federal, atualmente em US$ 7,25 por hora, alinhando-se à ambiguidade de Trump sobre o tema.

Em 2016, Trump chegou a defender aumentos salariais em campanha, mas, como presidente, bloqueou iniciativas como a ordem executiva de Biden que obrigava empresas contratadas pelo governo a pagar no mínimo US$ 15 por hora.

Baixa fiscalização e demissão inevitável

Como secretária, Chavez-DeRemer teve desempenho medíocre. Reduziu em 20% as ações de fiscalização por violações trabalhistas, de uma média de 21 mil sob Biden para 17 mil. Também diminuiu em 23% as ações contra setores com alto índice de violações, de 842 para 649 por ano.

Republicanos costumam premiar secretários que reduzem fiscalizações, aliviando a burocracia para empresas. Mesmo assim, sua saída era esperada. O próprio Trump, que pouco se importa com resultados, provavelmente não analisou seu desempenho antes de aceitar a renúncia.

"Ela é uma delas. É pró-sindicato", afirmou o senador republicano Tommy Tuberville, do Alabama, durante as discussões sobre sua nomeação. No entanto, Tuberville, hoje candidato ao governo do Alabama, não precisava se preocupar: Chavez-DeRemer votou a favor de sua confirmação.